Campo Grande (MS), Domingo, 26 de Julho de 2026

SAÚDE DA MULHER NO CLIMATÉRIO

Menopausa pode aumentar risco de gordura no fígado, alertam especialistas

Queda de estrogênio favorece alterações metabólicas que levam à esteatose hepática, condição ligada a doenças graves como cirrose e câncer

18/07/2025

07:45

REDAÇÃO

Durante a menopausa, a queda do estrogênio pode levar ao acúmulo de gordura no fígado, aumentando os riscos de doenças hepáticas @REPRODUÇÃO

Com a chegada da menopausa, muitas mulheres enfrentam transformações hormonais que vão além dos famosos calores, insônia ou alterações de humor. Um dos riscos silenciosos e ainda pouco associados a esse período é a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado — condição que pode evoluir para fibrose, cirrose e até câncer de fígado, caso não seja diagnosticada e tratada precocemente.

Segundo a médica ginecologista e nutróloga Alessandra Bedin Pochini, do Hospital Israelita Albert Einstein, a ligação entre a menopausa e a gordura hepática tem relação direta com a queda do estrogênio, hormônio que atua como protetor natural do metabolismo feminino.

“O estrogênio é um fator protetor. Quando esse hormônio começa a cair, mesmo antes da menopausa se instalar, já ocorrem alterações significativas no metabolismo da glicose e do colesterol”, explica a médica.

Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de gordura visceral — tipo de gordura mais inflamatória e perigosa —, aumentando os riscos de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e também da própria esteatose hepática.

Transição hormonal crítica

O período de maior risco para o surgimento da gordura no fígado é justamente o da transição menopausal, que se inicia cerca de três anos antes da última menstruação e pode se estender por até três anos após.

“Nesse intervalo, o corpo da mulher passa por uma verdadeira redistribuição da composição corporal: perde-se massa muscular e ganha-se gordura, especialmente na região abdominal”, explica Alessandra. “É nessa fase que a gordura hepática aparece com mais frequência e pode evoluir com maior gravidade.”

Além disso, a deficiência de estrogênio aumenta o estresse oxidativo, agrava a resistência à insulina, e favorece a acumulação de gordura no fígado, intensificando o risco de doenças hepáticas progressivas.

Prevenção e diagnóstico precoce

A recomendação é que mulheres a partir dos 45 anos, especialmente durante o climatério, mantenham acompanhamento médico regular, realizem exames preventivos e adotem hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso corporal.

A esteatose hepática pode ser silenciosa, mas é reversível em estágios iniciais, especialmente com mudanças no estilo de vida.

 


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Jornal Correio MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: