RISCO CARDÍACO PRECOCE
Estilo de vida aumenta risco cardiovascular entre jovens de até 30 anos
Sedentarismo, má alimentação e uso de estimulantes antecipam problemas cardíacos antes comuns após os 40
20/12/2025
07:20
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialistas alertam que hábitos inadequados têm antecipado fatores de risco cardiovascular entre jovens adultos ©Tânia Rêgo/Agência Brasil
Homens e mulheres jovens, entre 18 e 39 anos, já apresentam fatores de risco cardiovascular que antes eram observados principalmente após os 40 anos. Dados do National Health and Nutrition Examination Survey indicam que 7,3% desse público já têm hipertensão e 8,8% apresentam colesterol alto. Outros 26,9% possuem pressão arterial em níveis elevados e 21,6% têm colesterol considerado limítrofe, muitas vezes sem diagnóstico.
O cardiologista Aloisio Barbosa da Silva alerta que quase um em cada quatro jovens apresenta algum tipo de alteração na pressão arterial ou no colesterol antes dos 40 anos. Segundo ele, o quadro está diretamente relacionado a hábitos inadequados que levam à disfunção metabólica do organismo.
A professora de cardiologia da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e integrante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sarah Fagundes Grobe, confirma o avanço do risco cardiovascular entre jovens de 20 a 30 anos, em ambos os sexos. De acordo com a especialista, infarto, hipertensão e arritmias deixaram de ser problemas restritos a pessoas mais velhas, tornando-se cada vez mais frequentes entre adultos jovens no Brasil e no mundo.
No caso das mulheres, a médica explica que há fatores específicos que aumentam o risco cardiovascular de forma mais precoce, como doenças gestacionais, entre elas pré-eclâmpsia, eclâmpsia e diabetes gestacional, além de menopausa precoce e doenças autoimunes. Esses fatores antecipam o surgimento das primeiras doenças cardíacas.
Entre os homens, os principais agravantes são o sedentarismo, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, longas jornadas de trabalho, uso de estimulantes para treinar ou manter-se acordado, abuso de álcool, privação do sono e uso de esteroides anabolizantes. Estudos recentes mostram uma relação consistente entre o uso dessas substâncias e o aumento das doenças cardiovasculares, muitas vezes de forma silenciosa.
Especialistas destacam que esses hábitos fazem com que o coração envelheça mais rápido do que a idade cronológica, antecipando o aparecimento de doenças cardiovasculares. A dependência excessiva de telas, a falta de atividade física regular e horários desregrados também contribuem para o agravamento do quadro.
![]()
Ida ao médico é fundamental a partir dos 20 anos", diz dr. Aloisio Barbosa da Silva - Foto: Aloisio Barbosa /Arquivo
A prevenção, segundo os cardiologistas, é a principal estratégia para reduzir os riscos. A recomendação é que jovens iniciem acompanhamento médico regular a partir dos 20 anos, com avaliação da pressão arterial, exames de colesterol e outros marcadores genéticos, quando indicados. Alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos por pelo menos 150 minutos semanais, controle do peso, sono adequado, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo são medidas fundamentais.
Os especialistas reforçam ainda que o acompanhamento preventivo permite o diagnóstico precoce e pode mudar significativamente o desfecho das doenças cardiovasculares ao longo da vida.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Defesa Civil de MS se mobiliza após municípios enfrentarem alagamentos e danos por fortes chuvas
Leia Mais
Em visita a Campo Grande, Boulos defende Tebet em SP e descarta vinda de Lula a MS
Leia Mais
Empresário Urandir Fernandes aciona Justiça após acusações de pirâmide financeira feitas por ex-nora nas redes sociais
Leia Mais
Casos de Parkinson podem mais que dobrar no Brasil até 2060
Municípios