CIÊNCIA E ESPERANÇA
Tratamento experimental com polilaminina mobiliza pacientes, médicos e Justiça em Mato Grosso do Sul
Avanços recentes, acompanhamento da rede de apoio e atuação da família reforçam expectativa de recuperação funcional em casos de lesão medular
04/02/2026
17:00
REDAÇÃO
Tratamento experimental com polilaminina reacende esperança de recuperação em pacientes com lesão medular e mobiliza rede de apoio em Mato Grosso do Sul. @Frida Traven Loubet/Assessoria e Articulação/Divulgação
O tratamento experimental com polilaminina tem despertado atenção em Mato Grosso do Sul ao reunir pacientes, especialistas, pesquisadores e familiares em torno de uma nova possibilidade terapêutica para lesões graves da medula espinhal. Entre as pessoas diretamente envolvidas no acompanhamento e na mobilização pelo acesso ao procedimento está a rede de apoio liderada pela família do jovem Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que se tornou o primeiro paciente do Estado a receber a terapia.
Tetraplégico desde outubro de 2025, após sofrer um tiro acidental, o jovem passou pelo procedimento no Hospital Militar de Campo Grande por meio de autorização judicial — mecanismo que tem permitido que pacientes com quadros semelhantes tenham acesso a terapias ainda em fase experimental no país.
Uma semana após a cirurgia, surgiram sinais considerados positivos pela equipe médica, como a percepção de movimentações nervosas na região da coxa. Embora iniciais, as respostas clínicas reforçam a expectativa de evolução gradual, dentro dos limites e incertezas próprios de tratamentos em estudo.
A polilaminina é resultado de cerca de 25 anos de pesquisas conduzidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atua na regeneração de conexões neurais danificadas. Por ainda estar em fase de testes clínicos, sua aplicação ocorre de forma controlada, com acompanhamento rigoroso e necessidade de decisão judicial individual.
Segundo o neurocirurgião Bruno Cortez, que acompanha casos submetidos ao procedimento no Brasil, pacientes tratados até agora apresentaram algum grau de melhora neurolց ainda que variável o que mantém o interesse científico e a mobilização de famílias que buscam alternativas diante de quadros considerados irreversíveis pela medicina convencional.
Além do aspecto clínico, o avanço do tratamento também evidencia a atuação de familiares, apoiadores e profissionais de saúde na busca por informação, acesso judicial e continuidade do cuidado pós-cirúrgico. Esse movimento tem ampliado o debate sobre medicina regenerativa, financiamento de pesquisas e caminhos regulatórios para novas terapias no país.
Mesmo cercado de cautela científica, o acompanhamento dos primeiros resultados mantém viva a esperança de recuperação funcional para pacientes com lesões medulares severas e reforça a importância de investimentos contínuos em pesquisa, inovação e acesso a tratamentos de alta complexidade no sistema de saúde brasileiro.
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