Campo Grande (MS), Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026

SAÚDE ADOLESCENTE

Contracepção para adolescentes avança com métodos de longa duração

Implante subdérmico, único LARC com aprovação em bula para adolescentes, ganha destaque na prevenção da gravidez não planejada

03/02/2026

14:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Implante subdérmico é o único método contraceptivo reversível de longa duração com aprovação em bula para uso em adolescentes no Brasil. Foto: Internet

A abordagem médica sobre contracepção para adolescentes vem passando por mudanças importantes nos últimos anos, impulsionadas pelo avanço das evidências científicas e pela revisão de diretrizes clínicas no Brasil e no mundo. Diante de um cenário ainda preocupante, em que um a cada sete bebês nasce de mãe adolescente no país, a recomendação de métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC) tem se consolidado como estratégia prioritária de saúde pública.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que, diariamente, 1.043 adolescentes se tornam mães no Brasil, o que representa 44 nascimentos por hora de bebês filhos de mães adolescentes. Esse contexto reforça a necessidade de métodos mais eficazes e independentes do uso diário, especialmente nessa faixa etária.

Entre as opções disponíveis, o implante subdérmico de etonogestrel se destaca por ser o único método LARC com aprovação em bula para adolescentes. Ao lado dos dispositivos intrauterinos (DIUs), o implante passou a ocupar posição central nas recomendações médicas por aliar alta eficácia, segurança e baixa dependência do uso correto, fatores considerados decisivos para a adesão entre jovens.

Especialistas apontam que, apesar dos avanços, ainda há resistência ao uso desses métodos entre adolescentes. Mitos sobre infertilidade futura, receio de efeitos colaterais e a ideia equivocada de que o acesso à contracepção estimularia o início precoce da vida sexual ainda persistem. No entanto, esse cenário vem mudando gradualmente com a ampliação do acesso à informação científica e a maior capacitação dos profissionais de saúde.

“A ciência mostra que oferecer contracepção protege a saúde reprodutiva e não incentiva comportamentos. Pelo contrário, amplia o cuidado e a autonomia”, ressaltam especialistas ligados à área de saúde reprodutiva, como os associados à ABRAFESC.

Os impactos do acesso a métodos contraceptivos de longa duração vão além da prevenção da gravidez. A gestação não planejada na adolescência está diretamente associada à evasão escolar e à perpetuação da vulnerabilidade social. Ao garantir maior controle sobre a vida reprodutiva, as adolescentes têm mais chances de permanecer na escola, melhorar a inserção no mercado de trabalho e ampliar as perspectivas de ascensão social no futuro.

Com a consolidação dos LARC como opção segura e eficaz, a nova abordagem da medicina reforça o papel da contracepção como ferramenta essencial de promoção da saúde, da educação e da equidade social entre adolescentes brasileiras.


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