Campo Grande (MS), Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026

SAÚDE / VACINAÇÃO INFANTIL

Bebês prematuros de Campo Grande recebem primeira dose de vacina contra bronquiolite pelo SUS

Imunizante contra o vírus sincicial respiratório passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação e beneficia recém-nascidos internados na Maternidade Cândido Mariano

02/02/2026

11:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Bebês prematuros internados na Maternidade Cândido Mariano recebem imunização contra o vírus sincicial respiratório, ampliando a proteção contra bronquiolite e pneumonia pelo SUS. Foto: João Risi/MS

Bebês prematuros de Campo Grande receberam, nesta segunda-feira (2), a primeira dose da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em recém-nascidos. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e, nesta etapa inicial, 20 crianças internadas na Maternidade Cândido Mariano foram vacinadas.

Uma das mães, que preferiu não se identificar, relatou que a filha nasceu com 32 semanas de gestação após a equipe médica detectar alterações no batimento cardíaco da bebê. “Ela ficou 43 dias na UTI. Agora está melhor e eu estou muito feliz com essa vacina”, afirmou.

A coordenadora de vacinação da maternidade, Keila Lacerda, explicou que a aplicação do imunizante ocorrerá todas as quintas-feiras nas unidades intermediárias destinadas aos prematuros. Segundo ela, a vacina representa um avanço importante na proteção infantil. “Ela é fundamental porque protege contra a bronquiolite e a pneumonia. Tem um custo elevado e, até então, só estava disponível em clínicas particulares; agora, estará acessível pelo SUS”, destacou.

Nos últimos anos, conforme Keila, o vírus sincicial respiratório passou a representar um risco maior para os bebês, com aumento expressivo no número de internações. “No ano passado, enfrentamos uma crise de leitos por conta da bronquiolite e de surtos epidêmicos. Com essa vacina, acreditamos que esse número deve diminuir consideravelmente”, avaliou.

A coordenadora ressaltou ainda que não há alerta para reações graves, sendo esperados apenas sintomas leves, como dor no local da aplicação e febre. Por esse motivo, os bebês vacinados permanecem sob monitoramento da equipe de enfermagem e dos familiares.

A técnica da Coordenação de Imunização da SES, Maristela Chamorro Alves, informou que a Secretaria Estadual de Saúde realizou um levantamento prévio sobre os nascimentos prematuros em Mato Grosso do Sul. Com isso, o Estado recebeu doses suficientes para atender tanto Campo Grande quanto os municípios do interior, totalizando mais de 10 mil doses.

“A criança recebe uma dose agora e outra após 24 semanas. A vacina faz parte do calendário nacional. Toda criança que nascer com até 36 semanas e seis dias tem direito ao imunizante. O Ministério da Saúde autorizou o resgate da vacina, então crianças que nasceram em agosto de 2025, dentro desse critério, também podem ser vacinadas”, explicou.

Maristela orienta que mães de bebês prematuros procurem a Secretaria de Saúde do município para garantir a vacinação nos próximos dias.

A diretora técnica da maternidade, Karina Rosa Rolim Zucareli, afirmou que a aceitação da vacina na unidade chega a 99%. Ela destacou que a nova estratégia garante uma imunização dupla. “A gestante recebe a vacina durante a gravidez e o bebê é imunizado após o nascimento. No ano passado, tivemos um surto de bronquiolite em Campo Grande, inclusive com casos que exigiram isolamento. Essa vacina é um anticorpo monoclonal que oferece proteção imediata ao bebê”, explicou.

Segundo o Ministério da Saúde, o VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A dose é indicada para todos os prematuros com idade gestacional inferior a 37 semanas e também para crianças de até 24 meses com comorbidades, como cardiopatias, que aumentam o risco de infecções respiratórias.

Em 2025, Campo Grande registrou 3.140 casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Desses, 594 foram classificados como infecção pelo VSR, sendo 391 em bebês com menos de um ano de idade, conforme dados do Painel de Síndromes Gripais e Respiratórias da Cievs.

De acordo com a SES, a vacinação durante a gestação permite a transferência de anticorpos para o bebê por meio da placenta, garantindo proteção desde o nascimento, período de maior vulnerabilidade às infecções respiratórias. A vacina pode ser aplicada até a última semana de gestação.

A incorporação da vacina recombinante Abrysvo, da Pfizer, destinada a gestantes, ao SUS foi anunciada em fevereiro pelo Ministério da Saúde. Também foi anunciada a inclusão do anticorpo monoclonal Nirsevimabe, indicado para bebês prematuros e crianças com comorbidades, embora ainda não haja data definida para sua disponibilização na rede pública.

Atualmente, essas vacinas estão disponíveis apenas na rede privada, com valores que variam de R$ 1.599 a R$ 1.760, podendo chegar a R$ 4 mil. Com a inclusão no SUS, a expectativa do Ministério da Saúde é reduzir internações e mortes relacionadas ao VSR. Entre 2018 e 2024, o Brasil registrou mais de 83 mil internações de bebês prematuros por complicações associadas ao vírus.


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