Campo Grande (MS), Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

VIGILÂNCIA INTERNACIONAL

Vírus Nipah reacende atenção na Ásia, mas especialistas apontam baixo risco global

Casos confirmados na Índia levaram países a reforçar protocolos; doença tem alta letalidade, porém transmissão é limitada

30/01/2026

09:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Apesar do alerta regional, especialistas em saúde pública reforçam que o risco de disseminação global do vírus é considerado muito baixo. 2© Ruslanas Baranauskas/Divulgação

A confirmação de cinco casos do vírus Nipah na Índia levou países da Ásia, como Tailândia, Nepal e Taiwan, a retomarem medidas de vigilância e protocolos de proteção semelhantes aos adotados durante a pandemia de Covid-19. Apesar do alerta regional, especialistas em saúde pública reforçam que o risco de disseminação global do vírus é considerado muito baixo.

O vírus Nipah é uma zoonose identificada pela primeira vez em 1999 e é transmitido principalmente por morcegos frugívoros, especialmente da família Pteropodidae. A infecção pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados, consumo de alimentos contaminados ou, em casos mais raros, pela transmissão entre pessoas, geralmente em ambientes hospitalares ou familiares.

Segundo infectologistas, embora o Nipah apresente alta taxa de letalidade que pode variar entre 40% e 75%, conforme o surto e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde, o vírus não possui alta capacidade de transmissão sustentada entre humanos, o que reduz significativamente o risco de uma pandemia.

“O Nipah é um vírus grave, que exige atenção e resposta rápida das autoridades de saúde, mas ele não tem o mesmo potencial de espalhamento do coronavírus. A transmissão pessoa a pessoa é limitada e ocorre, em geral, em contextos muito específicos”, explicam especialistas em vigilância epidemiológica.

Medidas adotadas na Ásia

Após os registros na Índia, países da região reforçaram protocolos de monitoramento em aeroportos, hospitais e pontos de entrada internacionais. As medidas incluem triagem de viajantes, vigilância de casos suspeitos, uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde e planos de contingência para isolamento rápido de pacientes.

Essas ações têm caráter preventivo e visam evitar surtos localizados, especialmente em regiões com circulação conhecida do vírus em animais silvestres.

Quais são os sintomas

A infecção pelo vírus Nipah pode causar sintomas iniciais semelhantes aos de outras doenças virais, como febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para encefalite, com confusão mental, convulsões, coma e insuficiência respiratória.

Não existe, até o momento, um tratamento antiviral específico ou vacina aprovada para o vírus Nipah. O atendimento é baseado em cuidados de suporte, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do isolamento dos casos.

Cuidados e prevenção

As principais recomendações de prevenção incluem evitar o consumo de frutas ou seiva de palma possivelmente contaminadas por morcegos, não ter contato com animais doentes ou mortos e reforçar medidas de higiene. Em ambientes de saúde, o uso rigoroso de equipamentos de proteção individual é essencial para reduzir o risco de transmissão.

Organismos internacionais de saúde destacam que sistemas de vigilância bem estruturados, transparência na notificação de casos e cooperação entre países são fundamentais para conter eventuais surtos.

Avaliação dos especialistas

Apesar da atenção gerada pelos casos recentes, especialistas reforçam que não há motivo para pânico. “O risco de disseminação global é muito baixo. O que vemos agora é uma resposta preventiva e responsável dos países, baseada nas lições aprendidas durante a Covid-19”, avaliam.

O consenso entre autoridades sanitárias é de que a vigilância contínua e a informação correta à população são as principais ferramentas para lidar com o vírus Nipah, sem alarmismo, mas com cautela e preparo.


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