ARTIGO
Não há sustentabilidade possível sem infraestrutura básica
29/01/2026
07:30
*Paulo Bittar
Paulo Bittar
O debate climático tem colocado o Brasil em posição de destaque nas discussões globais. Ao mesmo tempo, evidencia um paradoxo que não podemos ignorar: como projetar um futuro sustentável quando ainda convivemos com grandes lacunas em saneamento básico e infraestrutura? A resposta passa por reconhecer esses desafios e transformá-los em oportunidades de desenvolvimento com planejamento, investimentos consistentes e a atuação de empresas experientes, capazes de inovar e entregar soluções de impacto.
O cenário de saneamento exige um salto significativo. Segundo o Ranking do Saneamento 2025, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), cerca de 90 milhões de pessoas quase metade da população ainda não contam com coleta de esgoto. Essa realidade reforça a urgência do cumprimento das metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que definiu, até 2033, 99% de atendimento em abastecimento de água e 90% em coleta e tratamento de esgoto.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada Anual (PNADCA), entre 2013 e 2022, indicam que 1,3 milhões de moradias (1,8% do total de residências no país) não tinham banheiro de uso exclusivo do domicílio, e o número de brasileiros que moravam nas habitações com privação de banheiro foi de mais de 4,4 milhões, número maior que toda a população do Uruguai.
A transformação passa por investimentos estratégicos e de longo prazo. Essas discussões precisam marcar um ponto de virada e não um momento passageiro. Manter o tema na agenda pública e privada é fundamental para que a visão de futuro se traduza em ações concretas, capazes de melhorar de forma permanente a vida das pessoas.
E o impacto vai além da economia. A falta de coleta e tratamento de esgoto afeta a qualidade da água, aumenta internações por doenças de veiculação hídrica e até contribui para emissões de gases de efeito estufa prova inequívoca de que não há sustentabilidade possível sem infraestrutura básica.
Para superar essas barreiras, é essencial combinar planejamento robusto, inovação tecnológica e soluções adaptadas à realidade de cada município. Tecnologias que modernizam o tratamento de esgoto com eficiência operacional e menor impacto ambiental, demonstram como inovação e sustentabilidade podem avançar lado a lado, mesmo em contextos complexos. Empresas experientes e comprometidas com a modernização do setor têm papel central nessa jornada.
Estudo do Instituto Trata Brasil aponta que melhorar as condições de saneamento pode trazer uma economia de R$ 25,1 bilhões em saúde até 2040, além de impulsionar a produtividade com um acréscimo estimado de R$ 438 bilhões em renda no mesmo período.
Sustentabilidade não se resume a metas ambientais. Ela exige infraestruturas resilientes, inclusivas e planejadas de maneira integrada saneamento, energia, mobilidade e logística caminham juntas. A agenda climática deve deixar de ser apenas simbólica e se transformar em motor de investimentos estruturantes, capazes de levar água tratada, esgoto coletado, qualidade de vida e novas oportunidades para todas as regiões, do Oiapoque ao Chuí.
Quando ampliamos o acesso ao saneamento, reforçamos bases que movem o desenvolvimento nacional: saúde, educação, produtividade, geração de emprego e dignidade. Infraestrutura bem planejada, aliada a modelos eficientes de concessões, parcerias e leilões, será determinante para que alcancemos as metas de 2033.
Sigo otimista. Entre 2019 e 2023, os investimentos em saneamento básico no Brasil apresentaram trajetória consistente de crescimento. Considerando valores corrigidos para junho de 2023, os aportes passaram de R$ 22,49 bilhões em 2019 para R$ 25,59 bilhões em 2023, o que representa uma expansão aproximada de 14% no período. Acredito no potencial do país para transformar o foco em sustentabilidade em um legado concreto.
É hora de converter o debate em ação; o compromisso, em obras; o planejamento, em políticas públicas duradouras. Só assim faremos do país um exemplo real de desenvolvimento sustentável. E esse futuro começa pelo básico: garantir saneamento é garantir dignidade.
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