CIÊNCIA E SAÚDE
Pesquisas brasileiras avançam no diagnóstico do Alzheimer
Exame de sangue com biomarcador p-tau217 promete facilitar diagnóstico precoce e ampliar acesso no SUS
16/10/2025
08:35
AGÊNCIA BRASIL
MARIA GORETI
Teste de sangue pode revolucionar diagnóstico da doença de Alzheimer. Foto: Louis Reed/Unsplash
Estudos recentes realizados por cientistas brasileiros indicam que um exame de sangue pode revolucionar o diagnóstico da doença de Alzheimer. A proteína p-tau217 demonstrou ser o principal biomarcador capaz de distinguir, de forma confiável, pessoas com Alzheimer e indivíduos saudáveis, abrindo caminho para um método menos invasivo e mais acessível.
Atualmente, o diagnóstico da doença no Brasil depende de exames de líquor, que envolvem punção lombar, ou exames de imagem como tomografia procedimentos caros e de difícil acesso em larga escala, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme explica o pesquisador Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), esses exames exigem infraestrutura especializada e não são viáveis para toda a população dependente do SUS.
A pesquisa, apoiada pelo Instituto Serrapilheira, analisou mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas e confirmou a eficácia do p-tau217 no sangue como biomarcador do Alzheimer. Os resultados foram obtidos a partir da análise de 59 pacientes e comparados ao exame padrão-ouro de líquor, apresentando mais de 90% de confiabilidade, índice recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Outro grupo de pesquisadores do Instituto D’Or e da UFRJ replicou os resultados, comprovando a eficiência do exame em diferentes regiões do Brasil, com populações geneticamente e socioculturalmente diversas.
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Pesquisador brasileiro Eduardo Zimmer, da UFRGS, participa de estudo sobre diagnóstico do Alzheimer - Foto Instituto Serrapilheira/Divulgação
O diagnóstico precoce do Alzheimer é um desafio global, com cerca de 57 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo, sendo 60% diagnosticadas com Alzheimer. No Brasil, estima-se que 1,8 milhão de pessoas tenham a doença, número que pode triplicar até 2050.
Além dos avanços no diagnóstico, o estudo ressaltou que a baixa escolaridade é um fator de risco importante para o declínio cognitivo, superando idade e sexo, evidenciando o impacto de fatores socioeconômicos e educacionais no envelhecimento cerebral.
Embora o exame de sangue já seja oferecido na rede privada, com testes importados que custam até R$ 3,6 mil, a meta dos pesquisadores é desenvolver uma versão nacional, gratuita, para uso no SUS. Para isso, ainda serão necessárias avaliações para definir a logística, a população beneficiada e o momento ideal para aplicação do exame, com estudos previstos para os próximos dois anos.
O Instituto Serrapilheira destaca que a pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry e reforçada em revisão internacional na Lancet Neurology.
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