Campo Grande (MS), Quinta-feira, 03 de Abril de 2025

Ordem era para matar ou espancar quem estivesse na frente, denuncia indígena

15/06/2016

14:24

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Nardo mostra local onde foi atacado junto com o garoto de 12 anos ferido. (Foto: H�lio de Freitas)

O confronto ocorrido na ter�a-feira (14) na regi�o da fazenda Yvu, pr�ximo a aldeia Te�yiku�, em Caarap�, munic�pio a 283 quil�metros de Campo Grande, � descrito por lideran�as ind�genas da regi�o como um verdadeiro 'massacre'. �Eles (pistoleiros) tinham ordem expressa de matar ou espancar quem se recusasse a sair�, relata um dos l�deres Guarani-Kaiow� Nardo Avarandy, 54 anos. O epis�dio resultou na morte de um �ndio e pelo menos outros seis ficaram feridos.

O ind�gena relembra com detalhes o momento em que, segundo ele, centenas de pessoas e dezenas de ve�culos iniciaram a investida ao grupo de cerca de 100 fam�lias. �Os fazendeiros entraram com umas 15 camionetes, disparando roj�es e tiros em dire��o do povo�, diz.
C�psulas recolhidas pelos �ndios em �rea de conflito. (Foto: H�lio de Freitas)

Conforme ele, as ordens para o ataque partiram de um fazendeiro identificado como 'Virg�lio'. �O Virg�lio era quem indicava em quem os pistoleiros iriam atirar. Eu fiquei frente a frente com ele, momento em que ouvi ele dizer que estavam ali pra expulsar todo mundo. Quem se recusasse a sair seria morto ou espancado�, relata.

Nardo conta que escapou por pouco de um dos disparos, que acabaram atingindo um menino de 12 anos. �Eu orientei todo mundo para ficar abaixado. Eles (fazendeiros) vieram na nossa dire��o atirando e eu consegui desviar, mas um tiro pegou na crian�a�, comenta.

O ataque seria uma resposta � retomada realizada pelos ind�genas de Tey'i Kue na Fazenda Yvu, vizinha � reserva. No �ltimo domingo, 12, um grupo de 100 fam�lias reocupou o territ�rio chamado de tekoha Toropaso, onde incide a Fazenda Yvu.

�Toda vez que a tenta voltar para nossa terra um �ndio morre. At� quanto isso vai acontecer�, questiona o ind�gena.

Hoje pela manh�, a Policia Militar esteve na �rea de conflito para tentar reaver os equipamentos que foram supostamente roubados de militares na ter�a-feira. Dois coletes a prova de balas, uma escopeta calibre .12 e tr�s pistolas calibre .40 ainda est�o de posse dos �ndios. Apenas um colete foi devolvido ao comandante da PM em Dourados, tenente coronel Carlos Silva.

Foi instaurado um inqu�rito policial para apurar os fatos e ser�o realizadas dilig�ncias para identificar os autores das agress�es policiais, o roubo das armas e os danos causados � viatura policial.

A morte do agente de sa�de Clodioudo Aguile Rodrigues dos Santos, 26, � apurada pela Pol�cia Federal. Os ind�genas informam que Clodioudo foi morto a tiros pelos fazendeiros, mas os produtores dizem que, durante uma confus�o, o agente de sa�de foi atropelado por um caminh�o. O governo do Estado j� solicitou a presen�a da For�a Nacional na regi�o para evitar que novos conflitos ocorram.
�ndios na entrada da fazenda Yvu, local de conflito. (Foto: H�lio de Freitas)




Fonte: campograndenwews
Por: Michel Faustino e H�lio de Freitas, enviado a Caarap�
Link original: http://www.campograndenews.com.br/cidades/ordem-era-para-matar-ou-espancar-quem-estivesse-na-frente-denuncia-indigena

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