ECONOMIA / COMÉRCIO EXTERIOR
Tarifaço dos EUA deve ter impacto limitado em Mato Grosso do Sul, avalia economista
Principais produtos exportados pelo Estado ficaram fora da sobretaxa norte-americana, mas especialista defende diversificação de mercados para reduzir riscos futuros
22/07/2026
07:15
REDAÇÃO
Carne bovina, celulose e ferro-gusa, principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, foram preservados da nova sobretaxa anunciada pelo governo norte-americano. @Divulgação
O anúncio de novas tarifas de importação pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou preocupação em diversos setores da economia nacional. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, os impactos tendem a ser limitados, segundo avaliação do economista e diretor da Agricon Consultoria, Fábio Ferreira Júnior.
De acordo com o especialista, os principais produtos exportados pelo Estado para o mercado norte-americano ficaram de fora da sobretaxa de 25%, preservando a competitividade da indústria sul-mato-grossense e reduzindo os efeitos da medida sobre a economia estadual.
Segundo Fábio Ferreira Júnior, as exportações destinadas aos Estados Unidos representam menos de 7% de todas as vendas internacionais realizadas por Mato Grosso do Sul, o que reduz significativamente a exposição do Estado às mudanças anunciadas pelo governo norte-americano.
"As exportações para o mercado americano representam menos de 7% do total vendido pelo Estado no comércio internacional e, justamente, os principais produtos da pauta carne bovina, ferro-gusa e celulose foram poupados da sobretaxa de 25%", explica.
Entre janeiro e junho de 2026, Mato Grosso do Sul exportou mais de US$ 370 milhões para os Estados Unidos.
Desse montante, a carne bovina respondeu por mais da metade das vendas. Quando somadas às exportações de ferro-gusa e celulose, essas três cadeias produtivas representam mais de 87% de toda a pauta exportadora do Estado destinada ao mercado norte-americano.
Na avaliação do economista, a exclusão desses produtos da nova tarifa preserva importantes polos industriais e garante a continuidade da produção, dos investimentos e da geração de empregos.
"Com a isenção, os principais polos estratégicos do Estado e desses setores preservam sua competitividade, a geração de empregos, a produção e o faturamento. O único produto atingido foi o sebo bovino, mas podemos considerar que o impacto é limitado, já que sua participação nas exportações para os Estados Unidos é inferior a 3%", afirma.
Embora considere que Mato Grosso do Sul tenha sido pouco afetado pela medida, Fábio Ferreira Júnior destaca que o episódio serve como um importante sinal de alerta para a economia estadual.
Segundo ele, o Estado precisa aproveitar o momento para fortalecer uma estratégia de longo prazo baseada na diversificação dos mercados compradores e na ampliação da pauta exportadora.
"Mato Grosso do Sul sai praticamente ileso do tarifaço, mas esse episódio deixa um importante alerta. Hoje o Estado foi poupado, mas amanhã pode não ser. O desafio é transformar esse alívio momentâneo em uma estratégia de longo prazo baseada na diversificação de mercados compradores, na ampliação da pauta exportadora e no fortalecimento das cadeias produtivas com maior valor agregado", ressalta.
Para o diretor da Agricon Consultoria, ampliar a competitividade internacional exige investimentos permanentes na industrialização, agregação de valor à produção e abertura de novos mercados.
"Precisamos continuar investindo na agregação de valor às principais cadeias produtivas locais, fortalecer as indústrias exportadoras e ampliar nossa presença em outros mercados internacionais. Quanto maior a diversificação, menor será a vulnerabilidade do Estado diante de mudanças geopolíticas ou comerciais que fogem ao nosso controle", conclui.
Na avaliação da Agricon Consultoria, o cenário reforça a importância do planejamento econômico e da inteligência de mercado para que empresas e governos estejam preparados para enfrentar oscilações do comércio internacional. Em um ambiente global marcado por disputas comerciais e mudanças regulatórias, a capacidade de adaptação torna-se um diferencial estratégico para preservar a competitividade e garantir novos ciclos de crescimento econômico.
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