Campo Grande (MS), Terça-feira, 21 de Julho de 2026

SAÚDE

Anvisa amplia uso de medicamentos para tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes

Medida autoriza novas indicações do belimumabe e do ocrelizumabe para pacientes pediátricos e busca ampliar as opções terapêuticas para doenças autoimunes

21/07/2026

12:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Anvisa amplia indicação de medicamentos para tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes. @Reprodução | Imagem Ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação de dois medicamentos destinados ao tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e amplia as opções terapêuticas para pacientes pediátricos com doenças autoimunes.

Com a medida, o Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como tratamento complementar para crianças a partir de cinco anos de idade diagnosticadas com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo.

O medicamento será destinado a pacientes que apresentam alta atividade da doença e que já realizam tratamento convencional com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros medicamentos imunossupressores.

A nova indicação contempla também a versão em caneta aplicadora (autoinjetora), oferecendo maior praticidade aos pacientes e reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes aos centros de infusão. A formulação intravenosa do medicamento já possuía autorização para uso em pacientes pediátricos.

Outra ampliação aprovada pela Anvisa envolve o Ocrevus (ocrelizumabe), que agora poderá ser utilizado por adolescentes a partir de 12 anos de idade e com peso igual ou superior a 40 quilos no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente.

O medicamento é um anticorpo monoclonal recombinante que atua reduzindo a atividade inflamatória relacionada à doença, ajudando a controlar sua progressão.

O que é o lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune que pode comprometer diversos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, cérebro e outros sistemas do organismo.

Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para complicações graves e, em alguns casos, levar ao óbito.

Entre os principais sintomas estão febre, dores e rigidez nas articulações, inchaços, lesões na pele que se agravam com a exposição ao sol, aumento dos linfonodos e queda de cabelo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com a doença, que acomete principalmente mulheres entre 20 e 45 anos.

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação médica e exames laboratoriais, como hemograma, exame de urina e, quando necessário, biópsia renal. O tratamento busca controlar a atividade da doença e reduzir os sintomas.

Entenda a esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura responsável por revestir e proteger as fibras nervosas, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Na forma remitente-recorrente, a mais comum, os pacientes apresentam surtos com surgimento ou agravamento de sintomas neurológicos, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa.

Quando a doença se manifesta antes dos 18 anos, é considerada rara e costuma apresentar evolução mais agressiva.

Os sintomas mais frequentes incluem fadiga intensa, dormência, formigamentos, alterações visuais, fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e alterações no controle da bexiga.

O diagnóstico é realizado por neurologistas, com apoio de exames clínicos e complementares, enquanto o tratamento busca reduzir a atividade inflamatória, controlar os surtos e preservar a qualidade de vida dos pacientes.


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