SAÚDE / JULHO AMARELO
Hepatites virais podem evoluir por anos sem sintomas e causar danos graves ao fígado
Especialistas alertam para a importância da testagem, vacinação e diagnóstico precoce durante a campanha Julho Amarelo
20/07/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Hepatites virais podem permanecer silenciosas por anos e, quando não tratadas, aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado. @Reprodução
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública no Brasil devido ao seu comportamento silencioso. Em muitos casos, a infecção pode permanecer por anos sem apresentar sintomas, permitindo que o vírus provoque danos progressivos ao fígado antes mesmo de ser identificado.
Durante a campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização sobre a prevenção e o controle das hepatites virais, especialistas reforçam a necessidade da vacinação, da realização de testes e do acompanhamento médico como estratégias fundamentais para evitar complicações graves, como fibrose, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil contabilizou mais de 826 mil casos confirmados entre 2000 e 2024. Em Mato Grosso do Sul, foram registrados mais de 10 mil casos no mesmo período.
Somente em 2024, o Estado notificou 173 casos de hepatite A, 91 de hepatite B e 178 de hepatite C. Em Campo Grande, a incidência da hepatite A chegou a 17,2 casos por 100 mil habitantes, índice cerca de três vezes superior ao registrado no Estado. No mesmo ano, Mato Grosso do Sul realizou mais de 355 mil testes rápidos para hepatites B e C.
Segundo especialistas, o principal desafio dessas doenças é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais. O fígado pode permanecer inflamado durante anos sem provocar dor ou sinais perceptíveis, enquanto sofre lesões que podem comprometer seu funcionamento.
Entre os sintomas que podem surgir em fases mais avançadas estão cansaço persistente, urina escura, pele e olhos amarelados, fezes claras, dor no lado direito do abdômen, náuseas frequentes e perda de apetite. No entanto, a ausência desses sinais não significa que a pessoa esteja livre da infecção.
As hepatites possuem diferentes formas de transmissão. A hepatite A está relacionada principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados. Já a hepatite B pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante o parto. A hepatite C ocorre principalmente por meio do contato com sangue contaminado, como compartilhamento de seringas, agulhas ou materiais perfurocortantes sem esterilização adequada.
A prevenção inclui manter a vacinação em dia, utilizar preservativos nas relações sexuais, consumir água tratada, higienizar corretamente os alimentos e evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear, escovas de dente, alicates de unha e seringas. Também é importante verificar as condições de higiene e esterilização em procedimentos como tatuagens, piercings, manicure e pedicure.
Alguns grupos apresentam maior risco para a doença e devem realizar exames periodicamente, entre eles pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993, usuários de drogas injetáveis, pacientes em diálise, pessoas com múltiplos parceiros sexuais sem proteção e indivíduos que realizaram procedimentos com materiais não esterilizados.
Os especialistas destacam que a hepatite C possui elevados índices de cura graças aos medicamentos antivirais disponíveis atualmente, que eliminam o vírus na maioria dos pacientes. Já a hepatite B ainda não tem cura definitiva em todos os casos, mas o tratamento consegue controlar a infecção, preservar a função do fígado e reduzir significativamente o risco de complicações.
A principal recomendação durante o Julho Amarelo é que a população procure as unidades de saúde para realizar a testagem, especialmente quem possui fatores de risco. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes do aparecimento de lesões graves, aumentando as chances de preservar a saúde do fígado e melhorar a qualidade de vida.
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