INVERNO E SAÚDE
Frio e tempo seco exigem atenção redobrada em MS
Com influência do El Niño no radar, baixa umidade do ar, fumaça de queimadas e variações bruscas de temperatura ampliam riscos de doenças respiratórias no Estado
22/06/2026
09:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialistas alertam para aumento de problemas respiratórios durante o inverno em Mato Grosso do Sul. Foto: Arquivo
Com a chegada oficial do inverno em Mato Grosso do Sul, a partir de 21 de junho, especialistas alertam para um período que combina temperaturas mais amenas com baixa umidade relativa do ar, cenário que tende a agravar problemas respiratórios e outras condições de saúde.
Em Campo Grande e em diversas regiões do Estado, o período seco se consolida como um dos principais desafios da estação. A possível atuação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, também entra no radar dos meteorologistas, com potencial de influenciar o regime de chuvas e as temperaturas nos próximos meses.
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul CEMTEC/MS, mesmo com projeções de precipitação ligeiramente acima da média entre julho e setembro de 2026, o trimestre ainda será marcado por características típicas da estação seca, com longos períodos sem chuva e índices de umidade frequentemente baixos.
Segundo especialistas da área da saúde, esse conjunto de fatores impacta diretamente o organismo humano, especialmente de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A baixa umidade compromete o funcionamento das vias respiratórias, que dependem de um nível adequado de hidratação para filtrar e umidificar o ar antes de chegar aos pulmões. Quando o ambiente está seco, aumentam os casos de irritação nos olhos, garganta ressecada, dor de cabeça, fadiga e crises de rinite, asma e bronquite.
Outro fator de preocupação é a presença de fumaça decorrente de queimadas em áreas do Pantanal e do Cerrado. As partículas suspensas no ar podem atingir grandes distâncias e agravar a qualidade do ar em áreas urbanas, elevando o risco de problemas respiratórios mesmo longe dos focos de incêndio.
Especialistas explicam que essas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente nos pulmões, dificultando a defesa natural do organismo. Pessoas com histórico de alergias ou doenças respiratórias tendem a sentir os efeitos com maior intensidade, mas a população em geral também pode apresentar sintomas como tosse, irritação ocular e falta de ar.
Os grupos mais vulneráveis incluem crianças, que possuem vias respiratórias menores e sistema imunológico em desenvolvimento, idosos, com menor reserva pulmonar e cardiovascular, além de gestantes e pacientes com doenças crônicas.
Nesses casos, o risco não se limita ao desconforto, podendo evoluir para quadros mais graves e até internações, especialmente quando há associação entre ar seco, poluição e infecções respiratórias.
Entre as recomendações de prevenção estão a hidratação constante ao longo do dia, o uso de lavagem nasal com soro fisiológico, a umidificação de ambientes internos e a redução de atividades físicas ao ar livre em períodos de baixa qualidade do ar. Em situações de fumaça intensa, a orientação é manter ambientes fechados nos horários críticos e reforçar a atenção com crianças e idosos.
Sinais como falta de ar persistente, chiado no peito, febre alta e alteração na coloração de lábios e unhas indicam a necessidade de atendimento médico imediato. Para pessoas com doenças respiratórias já diagnosticadas, especialistas recomendam acompanhamento preventivo e revisão do tratamento antes do pico do período seco.
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