CIÊNCIA A SERVIÇO DA PERÍCIA
Parceria entre Polícia Científica e UFMS fortalece pesquisas e aprimora análises forenses em MS
Cooperação entre universidade e laboratório oficial já resultou em estudos, publicações científicas e novas metodologias aplicadas à investigação criminal
22/06/2026
07:25
REDAÇÃO
Parceria entre Polícia Científica e UFMS impulsiona pesquisas que contribuem para o aprimoramento das análises periciais em Mato Grosso do Sul. @Divulgação/Polícia Científica de Mato Grosso do Sul.
A integração entre a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vem fortalecendo a produção científica e contribuindo diretamente para o aprimoramento das análises periciais realizadas no Estado. Formalizada em 2021, a parceria completa cinco anos em 2026 e já acumula resultados que impactam tanto a formação acadêmica quanto a rotina dos laboratórios forenses.
Um dos exemplos é a trajetória da pesquisadora Brenda Pache Moreschi, que iniciou sua experiência no Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) em 2019, ainda como estudante de Química Tecnológica da UFMS. O estágio voluntário despertou o interesse pela perícia criminal e abriu caminho para o desenvolvimento de pesquisas que hoje possuem aplicação prática em exames laboratoriais.

Entre os estudos desenvolvidos está uma metodologia para detecção de bromadiolona, substância presente em rodenticidas utilizados no controle de roedores. A técnica já é empregada pela Divisão de Química e Toxicologia (DQT) do IALF para análise de conteúdo gástrico de cães e gatos com suspeita de envenenamento.
Segundo o chefe da DQT, Evandro Rodrigo Pedon, a metodologia passou a integrar a rotina do laboratório como ferramenta de apoio aos exames periciais. A análise permite identificar a presença da substância e fornecer elementos técnicos para auxiliar na investigação dos casos encaminhados à perícia.
A cooperação também possibilita que estudantes dos cursos de Química e Farmácia-Bioquímica tenham contato direto com procedimentos de um laboratório oficial, incluindo protocolos rigorosos relacionados à cadeia de custódia, que garantem a preservação e a integridade das provas periciais.
De acordo com a diretora do IALF, Josemirtes Socorro Prado da Silva, os resultados da parceria vão além da formação acadêmica. Trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado, teses de doutorado e artigos científicos publicados em revistas internacionais já foram produzidos a partir das pesquisas desenvolvidas no âmbito da cooperação.
O professor do Instituto de Química da UFMS, Bruno Gabriel Lucca, responsável pela orientação de diversos estudos, destaca que cerca de dez projetos foram concluídos ou estão em andamento desde o início da parceria. Para ele, um dos principais ganhos é a transferência de tecnologia para a atividade pericial.
Além do estudo sobre bromadiolona, outros trabalhos investigam substâncias de interesse forense, como praguicidas e canabinoides sintéticos. As pesquisas ampliam o repertório técnico da Polícia Científica e ajudam a documentar metodologias que podem ser aplicadas em exames laboratoriais.
A experiência também influenciou diretamente a carreira de Brenda Pache Moreschi. Após concluir a graduação, ela obteve o título de mestre em Química Analítica pela UFMS, segue no doutorado na mesma área e atualmente atua como gerente técnica em uma empresa de análises ambientais.

Em um estado de fronteira como Mato Grosso do Sul, onde há grande circulação de substâncias ilícitas e constante surgimento de novas drogas sintéticas, a atualização dos métodos laboratoriais é considerada fundamental. Nesse cenário, a parceria entre universidade e Polícia Científica contribui para o desenvolvimento de soluções que fortalecem a produção de provas técnico-científicas utilizadas em investigações e processos judiciais.
Para a sociedade, os resultados aparecem na produção de laudos mais precisos, capazes de auxiliar a Justiça, esclarecer suspeitas e fornecer suporte qualificado às investigações conduzidas pelos órgãos de segurança pública.
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