SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Casos de Parkinson devem dobrar até 2050 e especialistas alertam para sinais precoces da doença
Tremores não são os únicos sintomas e atividade física é apontada como principal aliada para retardar avanço da doença
29/05/2026
08:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialistas alertam para crescimento dos casos de Parkinson e reforçam importância do diagnóstico precoce e da atividade física regular @Divulgação
Os casos de Parkinson devem mais que dobrar no mundo até 2050, segundo estimativas publicadas pela revista científica The BMJ. Atualmente, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a doença neurodegenerativa e a projeção é que esse número alcance 25,2 milhões nas próximas décadas, representando um aumento de 112%.
Considerada a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, o Parkinson acompanha o envelhecimento da população, já que a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da enfermidade. A maioria dos pacientes possui mais de 65 anos, embora existam casos de início precoce em pessoas com 30, 40 ou 50 anos.
O neurologista clínico e especialista em Parkinson e demências, doutor José Guilherme Schwam Jr, explica que o aumento no número de diagnósticos também está relacionado à maior conscientização da população e à evolução dos métodos de investigação.
“Quanto mais falarmos sobre a doença e ampliarmos o acesso à informação, mais pessoas procurarão atendimento médico para investigar sintomas. Além disso, os neurologistas estão cada vez mais preparados para realizar o diagnóstico precoce, o que melhora muito a qualidade de vida dos pacientes”, afirma o especialista, que atende no Complexo Clínico Órion Business.
Embora os tremores sejam o sintoma mais conhecido, o médico alerta que a doença pode apresentar sinais silenciosos muitos anos antes das alterações motoras.
“Os sintomas clássicos envolvem tremores em repouso, lentidão nos movimentos e rigidez muscular. Porém, sinais como perda do olfato, intestino preso, depressão e distúrbios do sono, principalmente quando a pessoa se debate durante os sonhos, podem indicar a doença antes mesmo dos tremores”, destaca José Guilherme.
Segundo o neurologista, apesar de ainda não existir cura definitiva para o Parkinson, a ciência já comprovou que hábitos saudáveis podem retardar a progressão da doença e preservar a autonomia dos pacientes.
“Hoje sabemos que a principal forma de retardar a progressão motora do Parkinson é o exercício físico regular. A atividade física tem efeito neuroprotetor comprovado, reduz o risco de quedas, melhora a mobilidade e ajuda a manter a independência do paciente por mais tempo”, explica.
O especialista ressalta ainda que alimentação equilibrada, controle da saúde cardiovascular e acompanhamento médico adequado também são fundamentais para garantir qualidade de vida.
O diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para controlar a evolução da doença. A recomendação médica é procurar um neurologista ao perceber tremores frequentes, lentidão nos movimentos ou alterações persistentes no sono e no olfato.
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