SAÚDE E EDUCAÇÃO
Dores menstruais afastam 4 em cada 10 alunas das salas de aula no Brasil
Pesquisa revela impacto das cólicas menstruais no desempenho escolar e aponta desigualdades raciais e falta de estrutura nas escolas
28/05/2026
10:00
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Pesquisa aponta que cólicas menstruais, falta de estrutura e pobreza menstrual afetam diretamente a frequência escolar de estudantes brasileiras. © Douglas Lopes/Divulgação
As dores menstruais têm afetado diretamente a rotina escolar de milhões de estudantes brasileiras. Pesquisa divulgada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info mostra que cerca de 4 em cada 10 alunas faltam às aulas mensalmente por causa das cólicas e outros sintomas relacionados ao período menstrual.
O levantamento aponta que 64% das estudantes que menstruam relatam cólicas moderadas ou fortes, muitas vezes acompanhadas de dores no corpo, cansaço, dores de cabeça e desconfortos que prejudicam o rendimento escolar e a participação em atividades físicas.
Segundo o estudo, os sintomas menstruais podem provocar até dois dias de ausência escolar por mês. Entre os principais motivos apontados pelas estudantes estão:
• Cólicas intensas
• Cansaço e dores no corpo
• Dores de cabeça
• Medo de vazamentos
• Falta de banheiro adequado ou produtos de higiene menstrual
DESIGUALDADE RACIAL
A pesquisa também revelou diferenças importantes entre estudantes negras e brancas. Mesmo relatando menos dores intensas, as alunas negras faltam mais às aulas durante o período menstrual.
Dados mostram que meninas negras chegam a perder até cinco dias de aula por mês em razão dos sintomas menstruais, índice superior ao registrado entre estudantes brancas.
Especialistas alertam que muitas meninas negras acabam normalizando a dor e deixando de procurar ajuda médica ou apoio escolar, reflexo de desigualdades históricas e culturais.
FALTA DE ESTRUTURA
Outro problema identificado foi a ausência de infraestrutura adequada nas escolas, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. A falta de banheiros apropriados e de acesso a absorventes aparece como fator que contribui para o afastamento escolar.
O estudo destaca ainda que a menstruação continua sendo tratada como tabu dentro das escolas, dificultando o diálogo e o acolhimento das estudantes.
MENSTRUAÇÃO AINDA É TABU
Os pesquisadores apontam que muitos estudantes do sexo masculino ainda demonstram desconhecimento sobre o impacto da menstruação na rotina escolar das meninas.
Especialistas defendem que o tema seja discutido de forma mais ampla no ambiente escolar, incluindo educação menstrual, combate ao preconceito e criação de políticas de acolhimento para estudantes e profissionais da educação.
A pesquisa também chama atenção para os riscos da naturalização da dor menstrual, que pode atrasar o diagnóstico de doenças como endometriose e outras condições ginecológicas.
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