SAÚDE / TECNOLOGIA
Uso de inteligência artificial na saúde já alcança 18% dos estabelecimentos no Brasil
Pesquisa aponta maior adesão da rede privada e destaca desafios para ampliação da tecnologia no setor
13/05/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Inteligência artificial avança no setor da saúde e já está presente em parte dos estabelecimentos brasileiros de atendimento. © Ascom/Secretaria da Saúde do Estado (Sesab)
O uso de inteligência artificial (IA) na área da saúde já está presente em 18% dos estabelecimentos brasileiros de atendimento, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pela pesquisa TIC Saúde 2025, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O levantamento mostra que a tecnologia está mais presente na rede privada, onde 21% das unidades utilizam IA, enquanto na rede pública o índice chega a 11%.
A pesquisa entrevistou 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o país e foi organizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Segundo o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, o avanço acelerado das tecnologias de inteligência artificial motivou a ampliação do monitoramento sobre o uso da ferramenta no setor de saúde.
“Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, afirmou.
Entre as principais aplicações da IA nos estabelecimentos de saúde brasileiros estão a organização de processos clínicos e administrativos, utilizada por 45% das unidades que adotam a tecnologia.
Outras aplicações incluem:
36% usam IA para melhorar a segurança digital
32% utilizam para aumentar a eficiência dos tratamentos
31% aplicam na logística
27% usam no apoio à gestão de recursos humanos e recrutamento
26% utilizam em auxílio a diagnósticos
14% aplicam na dosagem de medicamentos
Apesar do avanço, a pesquisa aponta desafios importantes para a expansão da inteligência artificial no setor.
Entre hospitais com mais de 50 leitos, os gestores apontaram como principais obstáculos os custos elevados de implantação, citados por 63% dos entrevistados. Outros 56% mencionaram falta de priorização institucional e 51% relataram dificuldades relacionadas à qualidade dos dados e à capacitação profissional.
A coordenadora de projetos do Cetic.br, Luciana Portilho, destacou a necessidade de qualificação técnica e regulamentação para garantir o uso seguro da tecnologia.
“O avanço do uso da IA na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes”, explicou.
O levantamento também mostrou que 9% dos estabelecimentos de saúde utilizam internet das coisas e 5% já empregam tecnologia robótica conectada à internet.
Entre os serviços digitais oferecidos aos pacientes, 39% das unidades disponibilizam acesso online a resultados de exames. O agendamento de consultas é oferecido por 34% dos estabelecimentos e o de exames por 32%.
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