ECONOMIA
Diferença salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos, aponta IBGE
Levantamento mostra que disparidade é mais elevada em empresas e na administração pública; estudo analisou 10,6 milhões de organizações no país
25/06/2026
08:25
REDAÇÃO
Em empresas privadas, mulheres recebem em média 78,1% do salário dos homens. © Fernando Frazão/Agência Brasil
A disparidade salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos do que em empresas e na administração pública no Brasil. A constatação faz parte de um levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre).
O estudo analisou um universo de 10,6 milhões de empresas e organizações ativas no país em 2024. Nesse conjunto, o salário médio mensal era de R$ 3,9 mil, o equivalente a 2,8 salários mínimos da época.
Na média geral, os homens recebiam R$ 4,2 mil, enquanto as mulheres recebiam R$ 3,9 mil. Isso representa uma diferença de 16,6%, com os homens ganhando mais, ou ainda que as mulheres recebem cerca de 85,8% da remuneração masculina.
Quando o recorte é feito por natureza jurídica das instituições, o cenário muda. Nas entidades sem fins lucrativos, a diferença é menor: as mulheres recebem em média R$ 3.589,82, contra R$ 3.768,81 dos homens, o equivalente a 95,3% da remuneração masculina.
Segundo o IBGE, esse grupo inclui organizações sociais, fundações privadas, sindicatos, condomínios e instituições religiosas, entre outras.
Já nas empresas privadas, a desigualdade é mais acentuada. As mulheres recebem em média R$ 2.996,79, enquanto os homens ganham R$ 3.838,67, o que representa 78,1% da remuneração masculina.
Na administração pública, que abrange órgãos dos três poderes e das esferas federal, estadual e municipal, as mulheres recebem R$ 4.967,51, contra R$ 6.058,19 dos homens, o equivalente a 82% do salário masculino.
A pesquisadora do IBGE, Caroline Santos, destaca que a menor diferença nas entidades sem fins lucrativos pode estar relacionada ao perfil dessas organizações, muitas delas voltadas à assistência social e serviços de saúde, áreas com maior participação feminina.
Ela também aponta que atividades como educação e saúde, mais presentes no setor público, ajudam a explicar parte da desigualdade, já que são áreas com salários médios mais baixos e alta presença de mulheres.
Apesar da Lei da Igualdade Salarial, sancionada em 2023, que determina remuneração igual para homens e mulheres na mesma função, o IBGE observa que diferenças médias ainda persistem. Entre os fatores estão a menor presença feminina em cargos de chefia e interrupções na carreira associadas à maternidade.
O levantamento também mostra que o Brasil tinha 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024, que empregavam cerca de 68 milhões de pessoas, sendo 54,2 milhões de assalariados e 13,8 milhões de sócios e proprietários.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
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