Campo Grande (MS), Sexta-feira, 26 de Junho de 2026

MERCADO DE TRABALHO

Jovens ocupados são maioria, mas 6,2 milhões ainda estão fora da escola e do mercado de trabalho

Levantamento do Ministério do Trabalho aponta avanço da ocupação entre jovens, mas destaca alta rotatividade nos empregos e desafios para reduzir o número de "nem-nem"

26/06/2026

07:25

REDAÇÃO

Levantamento mostra que 13,9 milhões de jovens brasileiros estão empregados, enquanto 6,2 milhões permanecem fora da escola e do mercado de trabalho. © Paulo Pinto/Agência Brasil

A maioria dos jovens brasileiros entre 14 e 24 anos está inserida no mercado de trabalho, mas um contingente de 6,2 milhões ainda permanece fora da escola e sem emprego. Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base em informações do IBGE, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do eSocial.

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil contabilizou 32,9 milhões de pessoas nessa faixa etária. Desse total, 13,9 milhões estavam ocupadas, enquanto 12,8 milhões dedicavam-se exclusivamente aos estudos. Outros 4,3 milhões conciliavam trabalho e escola.

Apesar do avanço da ocupação, a pesquisa chama atenção para a elevada rotatividade entre os jovens empregados. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, 52% permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual é de 38,2%.

Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, um dos principais desafios é reinserir no sistema educacional e no mercado aqueles que não estudam nem trabalham.

Ela destaca que o aumento do número de jovens exclusivamente na escola é um indicador positivo, mas ressalta que ainda existe um grupo significativo que precisa ser alcançado por políticas públicas.

Escolaridade cresce

O levantamento mostra que a juventude brasileira está mais escolarizada. Atualmente, 73% dos jovens possuem, pelo menos, o ensino médio completo. Além disso, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já concluíram a graduação.

Para o Ministério do Trabalho, o diploma passou a ser um requisito básico para a inserção profissional, mas ainda é necessário ampliar as oportunidades de empregos qualificados e melhor remunerados.

Desemprego continua acima da média nacional

Embora tenha recuado nos últimos anos, o desemprego entre jovens permanece superior ao índice geral do país.

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desemprego foi de 25,1% no primeiro trimestre deste ano. Já entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice chegou a 13,8%, mais que o dobro da média nacional, atualmente em 5,8%.

Segundo o estudo, o número absoluto de jovens desempregados está entre os menores da série histórica, reflexo da recuperação gradual do mercado de trabalho após a pandemia.

Empregos formais predominam

Os dados também mostram avanço da formalização. Dos jovens ocupados, 57,8% possuem carteira assinada, o equivalente a cerca de 8 milhões de trabalhadores formais.

A pesquisa ainda desfaz a percepção de que os jovens rejeitam empregos com carteira assinada.

Segundo Paula Montagner, a nova geração busca ambientes de trabalho com maior diálogo, flexibilidade e oportunidades de desenvolvimento profissional, especialmente para conciliar estudos e carreira.

Comércio e serviços concentram vagas

As ocupações que mais empregam jovens no país estão concentradas nos setores de comércio e serviços.

As cinco funções com maior número de trabalhadores entre 14 e 24 anos são:

  • Balconistas e vendedores: 1,24 milhão;
  • Escriturários gerais: 1,07 milhão;
  • Auxiliares da construção civil: 394 mil;
  • Recepcionistas: 391 mil;
  • Operadores de caixa: 367 mil.

Ao todo, 59% dos jovens ocupados trabalham em apenas 20 profissões, geralmente com salários próximos ao mínimo e baixa especialização.

Rotatividade preocupa

O estudo aponta que muitos jovens conseguem ingressar no mercado de trabalho, mas encontram dificuldades para permanecer nas vagas.

Entre os fatores estão a falta de experiência, dificuldades de adaptação e ausência de programas estruturados de integração nas empresas.

Especialistas defendem que o acompanhamento e a capacitação dos jovens durante os primeiros meses de trabalho são fundamentais para reduzir a rotatividade e ampliar as perspectivas de crescimento profissional.

 


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