Campo Grande (MS), Sábado, 27 de Junho de 2026

SAÚDE PÚBLICA

Brasil bate recorde de transplantes e SUS amplia acesso a procedimentos em todo o país

Número de transplantes cresceu 21% desde 2022 e ultrapassou 31 mil procedimentos em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde

07/05/2026

08:25

REDAÇÃO

Sistema Nacional de Transplantes registrou crescimento histórico no número de procedimentos realizados pelo SUS em todo o país. @Reprodução

O Brasil alcançou um marco histórico na área da saúde pública ao registrar mais de 31 mil transplantes realizados em 2025, o maior número já contabilizado no país. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram realizados 25,6 mil procedimentos.

O avanço é atribuído à ampliação da logística nacional, ao fortalecimento do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e à integração entre estados, hospitais, companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira (FAB), que ajudaram a acelerar o transporte de órgãos e equipes médicas.

A distribuição interestadual de órgãos teve papel decisivo para o aumento dos transplantes. Somente em 2025, a Central Nacional de Transplantes coordenou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas em diferentes regiões do país.

Outro dado que reforça a expansão do sistema foi o aumento de voos destinados ao transporte de órgãos. Em 2025, foram realizados 4.808 deslocamentos aéreos, crescimento de 22% em comparação com 2022. A logística rápida é considerada fundamental para preservar órgãos sensíveis ao tempo de isquemia e aumentar as chances de sucesso dos procedimentos.

O transplante de córnea liderou o ranking nacional, com 17.790 procedimentos realizados no ano passado. Em seguida aparecem os transplantes de rim, com 6.697 cirurgias; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427 procedimentos.

Todos os transplantes realizados pelo SUS são gratuitos e incluem exames preparatórios, cirurgia, internação, acompanhamento pós-operatório e fornecimento contínuo de medicamentos.

Em Mato Grosso do Sul, hospitais de referência também acompanham o avanço do setor. O Hospital da Cassems, em Campo Grande, vem ampliando procedimentos de alta complexidade, enquanto o Hospital Regional de Dourados recentemente realizou sua primeira Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE), fortalecendo a estrutura de atendimento especializado no interior do estado.

A capacitação de profissionais também foi ampliada nos últimos anos. O Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot) já formou mais de mil profissionais de saúde em estados brasileiros, preparando equipes para identificar potenciais doadores e conduzir entrevistas com familiares de forma humanizada.

Apesar do crescimento histórico, o Ministério da Saúde alerta que a recusa familiar ainda é um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes no país. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica.

O governo federal reforça que conversar com a família sobre o desejo de ser doador é uma das medidas mais importantes para salvar vidas.

Além da ampliação dos procedimentos, o Sistema Nacional de Transplantes também recebeu investimentos maiores. Os recursos federais passaram de R$ 1,1 bilhão em 2022 para R$ 1,5 bilhão em 2025, crescimento de 37%.

O sistema também incorporou novas tecnologias, como a Prova Cruzada Virtual, que permite avaliar previamente a compatibilidade entre doador e receptor, reduzindo riscos de rejeição e dando mais agilidade aos processos de transplante no país.


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