SAÚDE RESPIRATÓRIA
Estudo aponta que tratamento inadequado pode agravar casos de asma em adultos
Pesquisa revela que uso excessivo de bombinhas de resgate compromete função pulmonar e aumenta risco de crises graves
07/05/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Pesquisa aponta que uso inadequado de bombinhas de resgate pode provocar danos pulmonares permanentes em pacientes com asma. @Reprodução
Um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) revelou que 60% dos adultos com asma apresentaram redução da função pulmonar devido ao uso de tratamentos considerados defasados, principalmente as chamadas “bombinhas de resgate”. Entre crianças, o índice chegou a 33%.
Os dados fazem parte de uma pesquisa do Projeto CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde.
Segundo o estudo, grande parte dos pacientes atendidos na Atenção Primária à Saúde ainda utiliza apenas broncodilatadores de curta ação, conhecidos pela sigla SABA, como principal forma de tratamento da asma.
De acordo com diretrizes internacionais da Global Initiative for Asthma, esse tipo de medicamento oferece apenas alívio momentâneo dos sintomas e não combate a inflamação da doença, aumentando o risco de agravamento, crises severas e até mortalidade.
O responsável técnico pelo estudo, o pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, alerta que os danos pulmonares podem se tornar permanentes quando o tratamento correto não é realizado ao longo dos anos.
“Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do esperado antes de usar a bombinha. Após o remédio, um terço das crianças e a maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta de tratamento adequado ao longo dos anos”, afirmou.
Atualmente, o tratamento recomendado para pessoas com asma combina broncodilatadores de longa ação com medicamentos anti-inflamatórios inaláveis. Mesmo assim, o estudo aponta que muitas UBSs ainda utilizam protocolos antigos focados apenas no alívio imediato.
Impactos na rotina e aumento das crises
A pesquisa também revelou impactos significativos na qualidade de vida dos pacientes. Cerca de 60% dos participantes perderam dias de trabalho ou estudo por causa da doença nos últimos 12 meses.
Entre crianças e adolescentes, o absenteísmo ultrapassa 80%. Já entre adultos, o índice chega a 50%, afetando diretamente produtividade e aprendizado.
Outro dado preocupante mostra que quase 70% dos pacientes relataram três ou mais crises recentes de asma. Quase metade precisou procurar atendimento em pronto-socorro e, desse grupo, 10% acabaram hospitalizados.
Segundo dados citados pela pesquisa, o Brasil possui aproximadamente 20 milhões de pessoas com asma, conforme estimativa da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
Tecnologia mais acessível
O Projeto CuidAR também propõe alternativas para ampliar o diagnóstico e acompanhamento da doença no SUS. Entre elas está o uso do aparelho Peak Flow, dispositivo portátil que mede o pico de fluxo expiratório.
De acordo com os pesquisadores, o equipamento custa cerca de R$ 200, valor muito inferior ao da espirometria tradicional completa, que pode chegar a R$ 15 mil.
Além disso, o projeto aposta na capacitação contínua dos profissionais de saúde para modernizar o atendimento e reduzir internações relacionadas à asma.
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