Campo Grande (MS), Sábado, 27 de Junho de 2026

SAÚDE E COMPORTAMENTO /ALERTA SOBRE PADRÕES DE MAGREZA

Especialista aponta que uso de canetas emagrecedoras pode reforçar pressão estética e desigualdades

Relatório e entrevista destacam impactos na saúde mental e no comportamento alimentar

04/05/2026

08:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Especialistas alertam que uso indiscriminado de canetas emagrecedoras pode reforçar pressão por padrões de magreza @Divulgação

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras tem ampliado o debate sobre padrões corporais e saúde. Embora os medicamentos sejam indicados para o tratamento da obesidade, especialistas alertam que o uso indiscriminado pode reforçar pressões estéticas e provocar efeitos sociais e psicológicos preocupantes.

A professora Fernanda Scagluiza, da Universidade de São Paulo, avalia que o fenômeno está ligado ao que define como “economia moral da magreza”. Segundo ela, a sociedade tende a atribuir valores positivos a corpos magros, enquanto pessoas com sobrepeso enfrentam estigmas e discriminação.

De acordo com a pesquisadora, esse cenário cria um ambiente de desigualdade, em que características físicas influenciam diretamente relações sociais, oportunidades profissionais e até a forma como indivíduos são tratados no cotidiano.

Além da pressão estética, o avanço desses medicamentos também levanta preocupações sobre a chamada medicalização do corpo. O conceito se refere à transformação de questões sociais e culturais em problemas tratados exclusivamente sob a ótica médica, o que pode alterar a relação das pessoas com a alimentação.

Nesse contexto, práticas alimentares passam a ser guiadas por metas e restrições rígidas, muitas vezes desconectadas de hábitos saudáveis. Há relatos de pessoas que deixam de se alimentar adequadamente ou utilizam efeitos colaterais dos medicamentos como estratégia para reduzir a ingestão de alimentos.

Outro ponto de atenção é o impacto na saúde mental. Especialistas indicam que a busca por um padrão corporal pode intensificar quadros de ansiedade, além de reforçar comportamentos prejudiciais relacionados à alimentação.

A discussão também envolve o papel da indústria e das redes sociais na construção desses padrões. Para a pesquisadora, a valorização de determinados corpos tende a excluir a diversidade e estimular o consumo de soluções rápidas, como medicamentos e tratamentos estéticos.

O tema foi abordado no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, que discutiu os efeitos do uso crescente dessas substâncias. O debate destaca a necessidade de acompanhamento médico e de uma reflexão mais ampla sobre saúde, bem-estar e aceitação corporal.


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