SAÚDE INFANTIL
Campo Grande avança no diagnóstico precoce do autismo com M-CHAT obrigatório
Projeto aprovado na Câmara torna obrigatório o rastreio em crianças de 18 a 24 meses na rede pública e privada
01/05/2026
07:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Câmara de Campo Grande aprova projeto que torna obrigatório o uso do M-CHAT para diagnóstico precoce do autismo em crianças.
Campo Grande deu um passo importante no cuidado com o Transtorno do Espectro Autista ao aprovar a obrigatoriedade da aplicação da escala M-CHAT para o diagnóstico precoce em crianças. A medida foi aprovada nesta quinta-feira (30) pela Câmara Municipal.
A proposta, de autoria do vereador Maicon Nogueira, estabelece que o teste seja aplicado por médicos pediatras em crianças entre 18 e 24 meses de idade. A regra valerá tanto para atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde quanto na rede privada e por planos de saúde.
Reconhecida internacionalmente e recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a escala M-CHAT é composta por 23 perguntas respondidas por pais ou responsáveis. O instrumento permite identificar sinais de risco para o autismo ainda nos primeiros anos de vida, fase considerada decisiva para o desenvolvimento infantil.
Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que Mato Grosso do Sul possui 29.088 pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,1% da população, cerca de um a cada 91 moradores. Nos Estados Unidos, a prevalência é de um caso para cada 31 crianças de 8 anos, segundo o CDC.
A terapeuta ocupacional Lilianthea Lopes Oliveira Viegas destaca que a medida representa um avanço significativo. “O rastreio precoce permite identificar sinais de risco antes mesmo de um diagnóstico formal, o que possibilita o início imediato de intervenções e melhora o prognóstico da criança”, explica.
Segundo a especialista, a identificação tardia costuma dificultar o desenvolvimento. “Quando esse olhar acontece entre 18 e 24 meses, conseguimos atuar em um momento de maior plasticidade neural, potencializando os ganhos terapêuticos”, afirma.
Ela ressalta ainda que o atendimento envolve não apenas a criança, mas também orientação familiar, adaptação de rotinas e estratégias sensoriais. A integração entre áreas como fonoaudiologia, psicologia e neuropediatria também é apontada como fundamental para uma intervenção mais eficaz.
O projeto segue agora para sanção da prefeita Adriane Lopes.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Todos os municípios de MS concluem envio de dados do IEGM e fortalecem a gestão pública
Leia Mais
Interiorização da saúde aproxima pacientes do tratamento ortopédico especializado em Ribas do Rio Pardo
Leia Mais
Obras na BR-163 exigem atenção dos motoristas nesta sexta-feira
Leia Mais
Japão aposta em velocidade e talento coletivo para desafiar o Brasil no mata-mata
Municípios