Campo Grande (MS), Sábado, 27 de Junho de 2026

SAÚDE INFANTIL

Campo Grande avança no diagnóstico precoce do autismo com M-CHAT obrigatório

Projeto aprovado na Câmara torna obrigatório o rastreio em crianças de 18 a 24 meses na rede pública e privada

01/05/2026

07:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Câmara de Campo Grande aprova projeto que torna obrigatório o uso do M-CHAT para diagnóstico precoce do autismo em crianças.

Campo Grande deu um passo importante no cuidado com o Transtorno do Espectro Autista ao aprovar a obrigatoriedade da aplicação da escala M-CHAT para o diagnóstico precoce em crianças. A medida foi aprovada nesta quinta-feira (30) pela Câmara Municipal.

A proposta, de autoria do vereador Maicon Nogueira, estabelece que o teste seja aplicado por médicos pediatras em crianças entre 18 e 24 meses de idade. A regra valerá tanto para atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde quanto na rede privada e por planos de saúde.

Reconhecida internacionalmente e recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a escala M-CHAT é composta por 23 perguntas respondidas por pais ou responsáveis. O instrumento permite identificar sinais de risco para o autismo ainda nos primeiros anos de vida, fase considerada decisiva para o desenvolvimento infantil.

Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que Mato Grosso do Sul possui 29.088 pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,1% da população, cerca de um a cada 91 moradores. Nos Estados Unidos, a prevalência é de um caso para cada 31 crianças de 8 anos, segundo o CDC.

A terapeuta ocupacional Lilianthea Lopes Oliveira Viegas destaca que a medida representa um avanço significativo. “O rastreio precoce permite identificar sinais de risco antes mesmo de um diagnóstico formal, o que possibilita o início imediato de intervenções e melhora o prognóstico da criança”, explica.

Segundo a especialista, a identificação tardia costuma dificultar o desenvolvimento. “Quando esse olhar acontece entre 18 e 24 meses, conseguimos atuar em um momento de maior plasticidade neural, potencializando os ganhos terapêuticos”, afirma.

Ela ressalta ainda que o atendimento envolve não apenas a criança, mas também orientação familiar, adaptação de rotinas e estratégias sensoriais. A integração entre áreas como fonoaudiologia, psicologia e neuropediatria também é apontada como fundamental para uma intervenção mais eficaz.

O projeto segue agora para sanção da prefeita Adriane Lopes.


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