Campo Grande (MS), Sábado, 27 de Junho de 2026

SAÚDE E SOLIDARIEDADE

Hospital amplia captação de órgãos e reforça esperança por transplantes em MS

Unidade já registra duas captações em 2026 e avança na qualificação de equipes e serviços

29/04/2026

07:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Hospital Regional da Costa Leste amplia captação de órgãos e reforça rede de transplantes em Mato Grosso do Sul @HR3L

Gestos de generosidade têm encurtado distâncias entre a perda e a esperança em Mato Grosso do Sul. O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, administrado pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, realizou duas captações de órgãos somente neste ano, número que já representa metade de todos os procedimentos realizados em 2025.

Desde a implantação do serviço, em maio do ano passado, o hospital soma seis captações. Em 2025, foram quatro procedimentos ao longo de oito meses. Já em 2026, as duas ocorrências aconteceram nos dias 17 e 25 de fevereiro, a partir de doadores da região da Costa Leste: um homem de 32 anos e uma mulher de 53 anos. Em ambos os casos, foram captados rins destinados a pacientes que aguardavam na fila por transplante no Estado.

SERVIÇO QUE AVANÇA

O processo de captação de órgãos envolve uma complexa articulação entre equipes hospitalares e a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul. Segundo o cirurgião especialista em transplantes, Gustavo Rapassi, responsável pela equipe que atuou em Três Lagoas, tudo começa com a notificação da morte pela equipe hospitalar.

“A dinâmica da doação parte da notificação da morte, que é encaminhada à Organização de Procura de Órgãos e, em seguida, à Central de Transplantes, responsável por coordenar todo o processo. Após a autorização da família, iniciamos as avaliações até a captação”, explica.

Rapassi destaca a importância da agilidade e da integração entre as equipes. “Contamos com apoio logístico, como transporte aéreo, que reduz o tempo e aumenta a viabilidade dos órgãos. Esse trabalho conjunto é fundamental para salvar vidas”, afirma.

Entre a chegada da equipe e o retorno para Campo Grande, o processo leva, em média, cerca de quatro horas. Nesse período, o paciente receptor já está preparado para o transplante, o que torna a eficiência uma etapa decisiva.

O especialista também ressalta o protagonismo crescente do interior. “Foi a segunda vez, em menos de dez dias, que viemos a Três Lagoas. Isso mostra o avanço dos hospitais do interior na efetivação de doadores”, completa.

FORMAÇÃO E OPORTUNIDADE

Além de salvar vidas, a unidade também contribui para a formação de novos profissionais. A estudante de medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Karina Carleto, participou da segunda captação auxiliando na instrumentação cirúrgica.

“Foi uma experiência única. Tive a oportunidade de participar ativamente da cirurgia e aprender na prática”, relata.

No sexto ano do curso, a estudante destaca o ambiente de aprendizado oferecido pela unidade e afirma que pretende seguir carreira na área cirúrgica, com foco em transplantes.

QUALIFICAÇÃO E EXPANSÃO

O trabalho é coordenado pela equipe hospitalar de doação para transplantes, responsável por identificar potenciais doadores, acolher famílias e garantir que todo o processo ocorra de forma ética e segura.

Como parte do fortalecimento do serviço, profissionais da unidade passaram por capacitações, como o treinamento para enucleação ocular realizado no Banco de Olhos da Santa Casa de Campo Grande. Com isso, o hospital deverá, em breve, iniciar a captação de córneas, ampliando o alcance do serviço e contribuindo para reduzir a fila de espera por transplantes no Estado.

Também foram promovidas palestras internas para qualificação das equipes, reforçando a importância da capacitação contínua no processo de doação e transplantes.

CONSCIENTIZAÇÃO

Com o aumento no número de captações, cresce também a importância da conscientização da população. No Brasil, a autorização familiar é indispensável para a realização do procedimento.

Por isso, a principal orientação para quem deseja ser doador é comunicar à família essa decisão, garantindo que o gesto de solidariedade possa, de fato, salvar vidas.


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