ALERTA À SAÚDE
Violência sexual pode aumentar em 74% o risco de doenças cardíacas em mulheres
Estudo brasileiro aponta impactos além da saúde mental e reforça necessidade de atenção integral às vítimas
13/04/2026
08:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Estudo aponta que violência sexual pode aumentar significativamente o risco de doenças cardíacas em mulheres © Tânia Rêgo/Agência Brasil
Mulheres vítimas de violência sexual podem ter um risco até 74% maior de desenvolver doenças cardiovasculares, segundo estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública. A pesquisa foi baseada em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, considerada a principal base sobre as condições de saúde da população brasileira.
O levantamento identificou maior incidência de problemas como infarto do miocárdio e arritmias entre mulheres que sofreram esse tipo de violência, em comparação com aquelas que não passaram por essa situação. Já em casos de angina e insuficiência cardíaca, não houve diferenças significativas.
De acordo com o pesquisador Eduardo Paixão, da Universidade Federal do Ceará, os resultados foram obtidos a partir da análise de mais de 70 mil entrevistas realizadas pelo IBGE em 2019. O estudo utilizou ferramentas estatísticas para isolar fatores como idade, escolaridade e região, garantindo maior precisão nos resultados.
Segundo o pesquisador, os impactos da violência sexual vão além dos danos físicos e psicológicos imediatos. O trauma pode desencadear uma série de efeitos no organismo, como aumento da inflamação, alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca, além de contribuir para quadros de ansiedade e depressão, que também estão associados a doenças cardíacas.
Outro fator apontado é a maior probabilidade de adoção de hábitos prejudiciais à saúde entre vítimas, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, alimentação inadequada e sedentarismo, todos considerados fatores de risco cardiovascular.
O estudo também reforça que a violência sexual é um problema de saúde pública no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que 8,61% das mulheres relataram já ter sofrido esse tipo de violência ao longo da vida, índice superior ao registrado entre homens.
Especialistas destacam que os resultados ampliam a compreensão sobre os impactos da violência e reforçam a importância de políticas públicas que integrem saúde física, mental e social no atendimento às vítimas.
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