Campo Grande (MS), Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

VIOLÊNCIA ENTRE JOVENS

Pesquisa aponta que 26% das meninas já sofreram assédio sexual no Brasil

Levantamento do IBGE revela aumento da violência, bullying e uso de cigarro eletrônico entre adolescentes

25/03/2026

14:00

REDAÇÃO

Dados mostram crescimento de casos de assédio e desafios em saúde mental e ambiente escolar @Elza Fiúza/Agência

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgados nesta quarta-feira (25), apontam que 26% das meninas entre 13 e 17 anos no Brasil já foram vítimas de assédio sexual. O índice é mais que o dobro do registrado entre meninos, que ficou em 10,9%. No total, 18,5% dos estudantes relataram já ter passado por situações como toque, beijo ou exposição do corpo sem consentimento.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação, com estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, das redes pública e privada.

Na comparação com 2019, houve aumento de 3,8 pontos percentuais no total de adolescentes que sofreram assédio sexual, com crescimento mais acentuado entre meninas e alunos da rede pública. A incidência também é maior entre jovens de 16 e 17 anos.

Outro dado preocupante aponta que cerca de 1,1 milhão de adolescentes relataram já ter sofrido relação sexual forçada, sendo que, na maioria dos casos, a violência ocorreu até os 13 anos.

O estudo também revela aumento nos casos de bullying. Em 2024, 27,2% dos estudantes afirmaram ter sido vítimas recorrentes, acima dos 23% registrados em 2019. As meninas são maioria entre as vítimas, enquanto os meninos aparecem com maior frequência entre os agressores.

O cyberbullying atinge 12,7% dos adolescentes, com maior incidência entre estudantes da rede pública e entre meninas. O levantamento aponta ainda que há mais vítimas do que autores declarados.

Em relação ao comportamento, mais de um terço dos estudantes passa mais de duas horas por dia em frente a telas, enquanto 58,4% são considerados insuficientemente ativos fisicamente.

Apesar da queda no consumo de cigarro, álcool e drogas ilícitas, o uso de cigarro eletrônico cresceu de forma significativa, passando de 16,8% para 29,6% entre 2019 e 2024, com maior incidência nas regiões Centro-Oeste e Sul.

Na área de saúde sexual, o percentual de adolescentes que já tiveram relação caiu para 30,4%. Entre esses, 61,7% utilizaram preservativo na primeira relação. Ainda assim, cerca de 7,3% das meninas já engravidaram, com concentração quase total na rede pública.

O estudo também evidencia questões relacionadas à segurança e desigualdade. Em 2024, 12,5% dos estudantes deixaram de ir à escola por falta de segurança no trajeto. Já a pobreza menstrual afetou 15,3% das adolescentes, que faltaram às aulas por falta de absorventes.

Indicadores de saúde mental também chamam atenção. A satisfação com a própria imagem caiu ao longo dos anos, enquanto 28,9% dos estudantes relataram sentir tristeza frequente e quase metade afirmou se preocupar constantemente com problemas do dia a dia.

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção dos adolescentes, combate à violência e promoção de saúde física e mental no ambiente escolar.

 

 


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