Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

POLÍTICA / ALERTA SOBRE VIOLÊNCIA

“Estamos de luto”, diz Lia Nogueira diante do avanço dos feminicídios em Mato Grosso do Sul

Estado registrou 39 feminicídios em 2025 e aparece entre os mais violentos do país para mulheres, segundo relatório nacional

07/03/2026

10:45

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Deputada Lia Nogueira cobra fortalecimento da rede de proteção às mulheres diante do aumento dos casos de feminicídio no Estado @Divulgação

“Estamos de luto.” A declaração da deputada estadual Lia Nogueira resume o clima de indignação e preocupação diante do cenário de violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul.

No mês dedicado às mulheres, a realidade no Estado tem sido marcada por novos casos de feminicídio e pelo sentimento de insegurança quando o assunto é a proteção das vítimas de violência doméstica. Em um cenário que coloca Mato Grosso do Sul entre os estados mais violentos do país para mulheres, cada crime reforça a urgência de políticas públicas mais efetivas de prevenção e combate.

Um dos casos que mais chocaram a sociedade recentemente foi o da enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, morta após ser brutalmente agredida com golpes de martelo dentro de casa, pelo próprio companheiro, um subtenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, no município de Ponta Porã.

Mãe de três filhos, sendo dois deles dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), Liliane chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e teve morte cerebral.

Casos como esse refletem números alarmantes apontados no relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021–2025), divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios em 2025, alcançando uma taxa de 2,7 mortes para cada 100 mil mulheres, uma das mais altas do país.

Além disso, mais de 20 mil mulheres registraram ocorrências de violência doméstica no Estado no mesmo período, o que representa uma média próxima de 60 mulheres agredidas por dia.

No cenário nacional, os números também são alarmantes. Em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas vítimas de feminicídio no Brasil, evidenciando que a violência de gênero segue como um dos desafios mais urgentes de segurança pública e proteção às mulheres.

Diante desse cenário, o enfrentamento à violência de gênero tem sido uma das principais bandeiras do mandato da deputada Lia Nogueira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Entre as iniciativas defendidas pela parlamentar estão um projeto de lei que amplia a atuação da Ronda Maria da Penha, o incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica como forma de garantir autonomia financeira e a lei que incluiu a campanha Quebrando o Silêncio no calendário oficial do Estado, ampliando ações de conscientização e prevenção.

A deputada também defende a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher em todas as regiões do Estado, reforçando que a presença do poder público é essencial para salvar vidas.

“Hoje nós estamos de luto. Cada feminicídio não é apenas uma vida interrompida, mas uma família destruída. Precisamos reagir com políticas públicas fortes, ampliando a rede de proteção e garantindo que nenhuma mulher se sinta sozinha diante da violência. Essa luta é de toda a sociedade”, afirmou.

A parlamentar também fez um alerta às mulheres que vivem relacionamentos abusivos.

Segundo ela, romper um relacionamento violento pode ser difícil, mas é fundamental para preservar a vida e a segurança das famílias.

Para Lia Nogueira, enfrentar a violência contra a mulher precisa ser tratado como prioridade absoluta, já que cada política pública criada pode representar uma vida preservada.

“Não estamos falando apenas de punições mais duras. Estamos falando de salvar vidas. Porque não existe condenação no mundo capaz de equiparar com a dor de uma criança que perde a mãe para a violência”, declarou a deputada.


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