MEIO AMBIENTE
Pesquisadores identificam nova perereca endêmica do noroeste de Minas Gerais
Espécie foi registrada apenas no município de Paracatu e estudo reúne cientistas de instituições brasileiras e estrangeiras
17/02/2026
07:00
REDAÇÃO
Anfíbio raro vive em matas de galeria e acende alerta para conservação de riachos do Cerrado @ZOOTAXA/Agência Brasil
Pesquisadores descobriram uma nova espécie de perereca que habita exclusivamente o Cerrado do noroeste de Minas Gerais. Batizado de Ololygon paracatu, o anfíbio tem distribuição extremamente restrita e foi registrado apenas em duas localidades próximas no município de Paracatu.
A pesquisa envolve instituições como a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a Universidade Federal de Goiás e o Museo Argentino de Ciencias Naturales. O resultado do estudo foi publicado na revista científica Zootaxa.
O estudo combinou análises genéticas, comparações morfológicas e gravações de vocalizações. Parte essencial desse processo envolveu o uso de coleções biológicas.
De pequeno porte, a espécie apresenta diferenças morfológicas, acústicas e moleculares em relação a outras pererecas do mesmo gênero. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam de 29,3 a 35,2 milímetros.
Assim como outras espécies do gênero, o animal vive nas chamadas matas de galeria, vegetação florestal associada a rios de pequeno porte, córregos de águas rápidas e leito rochoso. A nova espécie é a oitava do gênero descrita no Cerrado, ampliando a lista de anfíbios endêmicos do bioma.
Homenagem
O nome da nova espécie faz referência ao Rio Paracatu, um dos principais afluentes do Rio São Francisco. A escolha carrega também um alerta ambiental. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores observaram sinais de degradação em parte dos riachos analisados, como assoreamento.
“A conservação dos córregos e riachos onde essa nova espécie vive é essencial não apenas para sua sobrevivência, mas para a manutenção do próprio Rio Paracatu e seus afluentes”, alerta Daniele Carvalho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios.
“Descrever uma espécie é dar um nome a ela; é torná-la visível para a ciência e para a sociedade. Esperamos que esse nome ajude a chamar a atenção para a crise hídrica e ambiental que assola essa importante bacia hidrográfica e que ameaça não apenas aos anfíbios, mas toda sociedade”, afirma Daniele.
“A pesquisa é fruto de anos de esmero e dedicação ao estudo dos anfíbios do Cerrado, um bioma incrivelmente rico, porém severamente subestimado e ameaçado”, complementa Reuber Brandão, professor da Universidade de Brasília e membro da RECN, iniciativa da Fundação Grupo Boticário.
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