CRIME EM AMBIENTE HOSPITALAR
Técnicos de enfermagem são investigados por série de mortes na UTI do Hospital Anchieta, no DF
Confissão de dois suspeitos levou a Polícia Civil a apurar possível atuação de um grupo responsável por até 20 homicídios contra pacientes internados
21/01/2026
08:35
REDAÇÃO
Polícia Civil do DF investiga técnicos de enfermagem suspeitos de provocar mortes de pacientes na UTI do Hospital Anchieta. @Reprodução
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um dos casos mais graves já registrados envolvendo profissionais da área da saúde no país. Três técnicos em enfermagem são suspeitos de matar cerca de 20 pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Brasília. Os investigados são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.
O caso veio à tona após a confissão de Marcos Vinícius e Marcela Camilly, que admitiram participação direta em ao menos três homicídios ocorridos dentro da UTI da unidade hospitalar. A partir dos depoimentos, a PCDF passou a tratar o trio como suspeitos de atuação em série, classificando o principal investigado como possível serial killer.
As apurações tiveram início após a identificação de mortes consideradas suspeitas de pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta. Segundo a Polícia Civil, houve inconsistências nos prontuários médicos e relatos internos que levantaram a hipótese de intervenções criminosas durante os plantões.
Com o avanço da investigação, os policiais chegaram aos nomes dos três técnicos de enfermagem que atuavam diretamente no setor onde ocorreram os óbitos. Durante os interrogatórios, Marcos Vinícius e Marcela acabaram confessando a autoria de três mortes, o que ampliou o escopo da investigação para outros óbitos registrados no mesmo período.
De acordo com a PCDF, Marcos Vinícius é apontado como o líder do esquema e o principal autor das mortes. Ele teria utilizado medicamentos em doses excessivas, de forma deliberada, para provocar a morte dos pacientes, transformando os fármacos em verdadeiros venenos.
Em pelo menos um dos casos investigados, o técnico também teria injetado desinfetante diretamente na corrente sanguínea da vítima, o que reforça a tese de homicídio doloso e premeditado. Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva são citadas como facilitadoras, seja auxiliando na execução, seja omitindo socorro ou informações que poderiam evitar os óbitos.
Até o momento, três mortes foram oficialmente confirmadas como homicídios pela investigação policial:
Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos.
Os três suspeitos respondem por homicídio qualificado.
João Clemente Pereira, servidor público de 63 anos.
Marcos Vinícius e uma das técnicas respondem por homicídio qualificado.
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, servidor público de 33 anos.
Marcos Vinícius e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.
A Polícia Civil apura agora a relação dos suspeitos com outras mortes ocorridas na UTI, que podem elevar o número de vítimas para cerca de 20 pacientes.
As autoridades trabalham na análise de prontuários médicos, laudos periciais, escalas de plantão e registros de medicamentos utilizados durante o período em que os técnicos atuaram na unidade. Familiares de pacientes que morreram no hospital também estão sendo ouvidos.
O Hospital Anchieta informou que colabora com as investigações e que adotou medidas internas após a descoberta das irregularidades, incluindo o afastamento dos profissionais envolvidos.
O caso causou forte comoção no Distrito Federal e reacendeu o debate sobre fiscalização, controle de medicamentos e segurança de pacientes em unidades hospitalares, especialmente em UTIs.
A PCDF não descarta novas prisões, o indiciamento por outros homicídios e o surgimento de mais vítimas à medida que as investigações avançam. O inquérito segue em andamento, sob sigilo parcial, devido à gravidade dos fatos e ao impacto social do caso.
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