INFRAESTRUTURA
Ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e fica a 128 metros de ligar Brasil e Paraguai
Obra entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta deve unir os dois países até o fim de maio e é considerada estratégica para o comércio internacional
19/01/2026
10:00
REDAÇÃO
Ponte internacional da Rota Bioceânica ligará Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, consolidando um novo corredor logístico para exportações. Foto: Toninho Ruiz
A ponte internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou em uma fase decisiva de execução. Faltam apenas 128 metros para a conclusão do vão central sobre o rio Paraguai, trecho que totaliza 350 metros e que permitirá a ligação física entre os dois países.
As atividades no canteiro de obras foram retomadas em 7 de janeiro, após o recesso de fim de ano. Em cerca de dez dias, a construção avançou 12 metros, aproximando as duas frentes que seguem em direção ao encontro final da estrutura. A previsão é que a união completa aconteça até o fim de maio.
Com a junção das estruturas, a obra entra na etapa final, que inclui a implantação de calçadas, pistas de rolamento, sistemas de iluminação viária e ornamental, além da pavimentação e sinalização. Essa fase deve ser concluída até agosto. Já os acessos do lado paraguaio têm previsão de entrega em novembro.
Considerada peça-chave da Rota Bioceânica, a ponte integra um corredor rodoviário de 2.396 quilômetros que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico, conectando o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, passando por Paraguai e Argentina.
A estrutura terá 1,3 quilômetro de extensão, 21 metros de largura e ficará a 35 metros acima da calha do rio. O projeto prevê um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura. O investimento é de US$ 100 milhões, financiado integralmente pela Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio.
As obras tiveram início oficial em 14 de janeiro de 2022 e fazem parte de um pacote de investimentos de US$ 1,1 bilhão do governo do Paraguai no trecho de 580 quilômetros entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo. Desse total, US$ 440 milhões já garantiram a conclusão do segmento Carmelo–Loma Plata; US$ 354 milhões financiam a pavimentação da Picada 500 (PY-15); e outros US$ 200 milhões serão aplicados entre Centinela e Mariscal.
A execução da ponte é responsabilidade do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, sob coordenação do engenheiro paraguaio Renê Gómez.
Segundo dados da Semadesc, a Rota Bioceânica poderá reduzir em até 17 dias o tempo de envio de exportações brasileiras para a Ásia, em comparação com o escoamento pelo Porto de Santos. Debatido desde 2014 e iniciado em 2017, o projeto busca ampliar a integração regional e tem potencial de movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão por ano em exportações como carnes, açúcar, farelo de soja e couros.
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