CAPITAL / POLÍTICA MUNICIPAL
Câmara avalia suspender recesso para discutir mudanças no IPTU em Campo Grande
Vereadores defendem retomada de desconto de 20% e questionam reajustes aplicados em 2026
08/01/2026
08:35
REDAÇÃO
Vereadores discutem possibilidade de sessão extraordinária para tratar das mudanças na cobrança do IPTU em Campo Grande. @Divulgação
Vereadores de Campo Grande avaliam interromper o recesso parlamentar para a realização de uma sessão extraordinária na próxima segunda-feira (12), com o objetivo de discutir alterações na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Entre os principais pontos em debate está a retomada do desconto de 20% para pagamento à vista, que foi suprimido por decreto do Executivo municipal.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), há consenso entre os parlamentares para suspender parcialmente o decreto que modificou as regras do tributo. A proposta é derrubar pontos considerados controversos e estabelecer critérios mais transparentes para o reajuste e a arrecadação do IPTU.
Papy afirmou que tentou evitar a convocação de uma sessão extraordinária e buscou diálogo com a prefeita Adriane Lopes (PP), mas, até o momento, não houve acordo. O Executivo aceitou apenas prorrogar o vencimento do pagamento à vista, que passou de 12 de janeiro para 12 de fevereiro, mantendo inalteradas as demais condições, incluindo o calendário de parcelamento.
A principal preocupação dos vereadores é a reação da população aos reajustes aplicados em 2026. De acordo com relatos de contribuintes, os aumentos variaram entre 18% e 396%, percentuais bem superiores aos 5,32% divulgados inicialmente pela Prefeitura. Para os parlamentares, a manutenção do desconto à vista seria uma forma de amenizar o impacto financeiro para quem paga o imposto em dia.
Entre as propostas em discussão está o projeto do vereador Landmark Rios (PT), protocolado em 12 de dezembro do ano passado, que restabelece o desconto de 20% para pagamento à vista do IPTU. A matéria não chegou a ser votada antes do início do recesso, mas ganhou força diante do aumento das reclamações. “A redução do desconto penaliza quem cumpre suas obrigações. O projeto busca corrigir isso e trazer mais justiça tributária”, afirmou o vereador.
Outra iniciativa é da vereadora Luiza Ribeiro (PT), que propõe limitar o reajuste do IPTU à inflação, aplicando apenas a correção anunciada oficialmente pelo Executivo. Já o vereador André Salineiro (PL) apresentou um ofício sugerindo a prorrogação de prazos e a manutenção do desconto, apostando em um acordo com a prefeita para evitar a necessidade de uma sessão extraordinária.
Caso a sessão seja confirmada, a Câmara Municipal poderá impor alterações ao decreto do Executivo, um movimento considerado incomum no Legislativo campo-grandense nos últimos anos. A decisão final sobre a convocação deve ser tomada nos próximos dias, conforme avançam as negociações entre vereadores e a Prefeitura.
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