RESPEITO NO ESPORTE
Ministérios defendem árbitra sul-mato-grossense após ataques machistas em partida
Nota conjunta repudia declarações de jogador e reforça compromisso com igualdade de gênero no futebol
23/02/2026
08:25
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Ministérios manifestaram apoio à árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos após declarações machistas em partida do futebol brasileiro. @Divulgação
O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte saíram em defesa da árbitra sul-mato-grossense Daiane Caroline Muniz dos Santos, de 37 anos, após ataques machistas durante a partida entre Red Bull Bragantino e São Paulo Futebol Clube.
Em nota de repúdio conjunta publicada neste domingo (22), as duas pastas reiteraram que Daiane é uma árbitra FPF CBF FIFA altamente qualificada e manifestaram solidariedade a ela, além de apoio a todas as mulheres que atuam no futebol, dentro e fora de campo.
Os ministérios destacaram que o episódio deve servir para enfrentar o machismo estrutural e a misoginia no esporte. “Um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado”, afirma o texto.
As declarações consideradas machistas partiram do zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, após a derrota da equipe no sábado (21). O jogador afirmou que Daiane “não tem capacidade de apitar um jogo desse” e declarou que a Federação Paulista deveria “olhar para um jogo desse tamanho e não colocar uma mulher”.
O repúdio foi imediato e ganhou repercussão nacional. Na nota, os ministérios reforçaram que o respeito às mulheres é inegociável e que elas devem ocupar todos os espaços que desejarem, seja na arbitragem, na gestão esportiva, na imprensa ou em qualquer outro setor.
“As mulheres devem estar onde quiserem. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade”, reforça o posicionamento.
As pastas informaram ainda que acompanharão atentamente os desdobramentos do caso na Justiça Desportiva, confiando na apuração dos fatos e na responsabilização cabível. O episódio reacende o debate sobre igualdade de gênero e combate à discriminação no futebol brasileiro.
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