SAÚDE E PREVENÇÃO
Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis, aponta estudo
Pesquisa publicada na revista The Lancet estima que mais de 109 mil óbitos no país poderiam ser prevenidos com diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento
20/02/2026
07:35
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Exames como a mamografia estão entre as estratégias de detecção precoce que podem reduzir mortes por câncer ©Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas por meio de prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.
De acordo com a pesquisa, dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Desse total, aproximadamente 109,4 mil óbitos seriam evitáveis.
O trabalho integra a edição de março da revista e foi elaborado por 12 autores, sendo oito vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde. O levantamento analisou 35 tipos de câncer em 185 países.
No Brasil, as mortes evitáveis se dividem em dois grupos: 65,2 mil são consideradas preveníveis, ou seja, poderiam ter sido evitadas antes mesmo do surgimento da doença, enquanto 44,2 mil estariam relacionadas à falta de diagnóstico precoce ou de tratamento adequado.
Cenário mundial
Em escala global, o percentual de mortes evitáveis é ainda maior, chegando a 47,6%. Dos 9,4 milhões de óbitos por câncer no mundo, quase 4,5 milhões poderiam não ter ocorrido. Uma em cada três mortes é considerada prevenível e outras 14,4% poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e acesso a tratamento.
Entre os principais fatores de risco apontados pelos pesquisadores estão o tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções associadas a vírus como o HPV e os vírus das hepatites, além da bactéria Helicobacter pylori.
Desigualdades
O estudo evidencia disparidades entre regiões e níveis de desenvolvimento. Países do norte da Europa apresentam percentuais de mortes evitáveis próximos de 30%, com destaque para Suécia, Noruega e Finlândia.
Na outra ponta, países africanos concentram as maiores proporções, como Serra Leoa, Gâmbia e Malaui, onde até sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas.
A América do Sul registra índice de 43,8%, percentual semelhante ao brasileiro.
Quando analisado o Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, os países com baixo IDH apresentam 60,8% de mortes evitáveis. O Brasil está classificado no grupo de IDH alto.
Tipos mais associados
Segundo o estudo, 59,1% das mortes evitáveis estão relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.
Entre os casos preveníveis, o câncer de pulmão lidera, com 1,1 milhão de mortes no mundo. Já o câncer de mama apresenta o maior número de mortes consideradas tratáveis, ou seja, que poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Os pesquisadores defendem políticas públicas voltadas à redução do tabagismo e do consumo de álcool, além de estratégias para enfrentar o excesso de peso, como regulação de publicidade e tributação de alimentos não saudáveis.
Também destacam a importância da vacinação contra o HPV, da ampliação do rastreamento do câncer de mama e do fortalecimento do acesso ao tratamento.
No Brasil, ações de prevenção e diagnóstico precoce são realizadas pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer, que promovem campanhas regulares para reduzir a incidência e a mortalidade da doença.
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