Campo Grande (MS), Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Feminicídio de ex-guarda municipal expõe avanço da violência doméstica e alerta para cenário crítico em MS

Morte de Alliene Nunes, em Dourados, reforça escalada de assassinatos de mulheres no estado, que já contabiliza 37 feminicídios neste ano. Especialistas apontam falhas na prevenção e necessidade urgente de ampliar políticas de proteção.

24/11/2025

08:35

REDAÇÃO

Crime ocorreu na casa da vítima; filho de 9 anos fugiu para pedir ajuda e suspeito foi preso em flagrante. @REPRODUÇÃO/G1

Mato Grosso do Sul volta a registrar mais um caso brutal de feminicídio, confirmando a preocupação de autoridades e entidades de defesa das mulheres sobre o avanço da violência doméstica no estado. A ex-guarda municipal Alliene Nunes Barbosa, 50 anos, foi morta a golpes de arma branca na noite de domingo, na região central de Dourados. O autor do crime, o venezuelano Cristian Alexander Cabeza Henriquez, 44 anos, foi preso em flagrante.

O crime ocorreu por volta das 23h20, dentro da casa da vítima. No momento da agressão, o filho de Alliene, um menino de apenas 9 anos, ficou trancado no imóvel por cerca de 40 minutos. Ele conseguiu fugir pulando o muro e pediu ajuda a um vizinho, que acionou a Polícia Militar. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil como feminicídio — o assassinato de uma mulher motivado por violência de gênero.

Cenário crítico em Mato Grosso do Sul

Com a morte de Alliene, o estado alcança 37 feminicídios registrados em 2025, consolidando Mato Grosso do Sul entre as unidades da federação com maiores índices proporcionais de violência contra mulheres. Especialistas apontam que o estado enfrenta um padrão persistente de agressões, impulsionado por fatores como conflitos domésticos, vulnerabilidade socioeconômica, abuso de álcool, controle psicológico e histórico de violência prévia.

Dados recentes de organismos de segurança pública mostram que boa parte dos crimes ocorre dentro da residência da vítima e é cometida por companheiros ou ex-companheiros — cenário que reforça a necessidade de ampliar mecanismos de proteção e resposta rápida.

Falhas na prevenção e urgência de políticas mais eficazes

Entidades de defesa dos direitos das mulheres alertam que, apesar do aumento das denúncias, a estrutura de acolhimento ainda é insuficiente. Delegacias especializadas operam com equipes reduzidas, e há demanda crescente por casas-abrigo, acompanhamento psicológico e programas de monitoramento de agressores.

Além disso, especialistas reforçam que a violência doméstica segue subnotificada, e muitas mulheres têm dificuldade de acessar canais de apoio, seja por dependência financeira, medo de retaliação ou ausência de rede familiar.

Caso reacende debate sobre proteção a crianças

O episódio também expôs o risco vivido por crianças em ambientes de violência doméstica. O filho de Alliene presenciou parte da agressão, conseguiu escapar e foi essencial para que o crime fosse denunciado imediatamente. Assistentes sociais e psicólogos destacam que menores expostos a esses cenários precisam de acompanhamento contínuo, para evitar traumas permanentes.

Mobilização social e pedidos de reforço

A morte de Alliene provocou grande comoção entre profissionais da segurança pública, amigos e moradores de Dourados. Organizações locais anunciaram que promoverão debates e ações de conscientização sobre violência contra a mulher, reforçando a importância de denunciar agressões precoces para evitar desfechos fatais.

O caso segue sob investigação pela Polícia Civil, e o suspeito deve responder por feminicídio qualificado.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Jornal Correio MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: