Campo Grande (MS), Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025

SAÚDE PÚBLICA EM FOCO

Aconselhamento de 3 minutos pode ajudar a reduzir tabagismo no Brasil, aponta Inca

Estimativa indica que orientação rápida em consultas médicas pode levar 500 mil pessoas a abandonarem o cigarro, com economia de até R$ 1 bilhão aos cofres públicos

29/08/2025

08:35

AGÊNCIA BRASIL

REDAÇÃO

O Inca alerta que o tema deve ser abordado por todos os profissionais de saúde, mesmo em consultas rápidas ou visitas domiciliares @ Fernando Frazão/Agência Brasil

Se cada profissional de saúde no Brasil dedicasse entre 30 segundos e 3 minutos para orientar seus pacientes fumantes sobre os riscos do tabagismo e os benefícios de parar de fumar, meio milhão de brasileiros poderiam deixar o vício. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e foi divulgada como parte das ações pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado nesta sexta-feira, 29 de agosto.

Segundo o levantamento, essa redução de 2,5% no número de fumantes que somam cerca de 20 milhões de pessoas no país poderia gerar uma economia de até R$ 1 bilhão, considerando os gastos com o tratamento de doenças provocadas ou agravadas pelo cigarro, como câncer, infarto e doenças respiratórias.

“São números impressionantes para um país que tem tanta limitação de recursos. É uma oportunidade que estava na frente de um profissional de saúde e que se perdeu”, afirma André Szklo, pesquisador da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca.

Falta de abordagem é um gargalo

A constatação vem de dados oficiais. A Pesquisa Nacional de Saúde 2019, do IBGE, revelou que 30,9% dos fumantes atendidos por médico ou dentista não foram questionados sobre o uso de tabaco. Outros 18,1% chegaram a relatar o vício, mas não receberam orientação alguma.

Somadas, essas proporções indicam que quase 10 milhões de pessoas não tiveram nenhum tipo de abordagem sobre o tabagismo em atendimentos médicos — o que, segundo o Inca, representa uma oportunidade desperdiçada de atuação preventiva e educativa.

“As pessoas que recebem algum tipo de aconselhamento mostram maior disposição para tentar parar de fumar. É uma estratégia eficaz, de baixo custo e que todos os profissionais de saúde podem aplicar”, destaca Szklo.

Cartilhas, programas e papel dos especialistas

O Inca lançou recentemente uma cartilha voltada a agentes comunitários de saúde, reforçando a importância do aconselhamento breve durante visitas domiciliares. Segundo o instituto, mesmo os profissionais de especialidades que não lidam diretamente com o tema — como ginecologia, ortopedia ou oftalmologia — podem e devem incluir a orientação sobre o cigarro durante a consulta.

Iniciativas como o programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, também são vistas como oportunidades para ampliar o alcance da abordagem.

Recomendação da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aconselhamento breve em todas as consultas de rotina. Com duração entre 30 segundos e 3 minutos, a orientação pode ter efeitos significativos, aumentando os níveis de abstinência e estimulando os pacientes a buscar ajuda profissional.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar, com apoio multidisciplinar disponível nas unidades básicas de saúde, como acompanhamento médico, psicológico e, quando necessário, uso de medicamentos.

Apesar da redução no número de fumantes nas últimas décadas, o tabagismo ainda provoca cerca de 174 mil mortes por ano no Brasil e gera custos diretos e indiretos que somam R$ 153,5 bilhões, segundo dados do Inca.

O apelo da campanha deste ano é simples: aproveitar cada oportunidade de contato com o paciente para alertar, orientar e oferecer caminhos para o abandono do cigarro — mesmo que em apenas três minutos.


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