MEIO AMBIENTE
Prática de “ceva” no Pantanal é apontada como risco para ecossistema após morte de caseiro por ataque de onça
25/04/2025
17:45
REDAÇÃO
@Divulgação
A prática de ceva, que consiste em atrair animais selvagens com o oferecimento de comida, é considerada comum na região do Pantanal de Aquidauana, onde o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, foi encontrado morto após ser atacado por uma onça. Especialistas alertam que essa prática não apenas coloca a vida humana em risco, mas também ameaça o equilíbrio de todo o ecossistema local.
A prática de ceva é uma atividade em que pessoas, muitas vezes, colocam alimentos em áreas específicas para atrair animais silvestres, com o objetivo de facilitar a caça ou apenas por curiosidade. No caso do ataque fatal ao caseiro, as circunstâncias indicam que a onça pode ter sido atraída por esse tipo de prática, o que resultou na perda do comportamento natural do animal, que deixou de temer a presença humana.
Fernando Tortato, coordenador do Programa de Conservação da Panthera no Brasil, alerta que a ceva tem um impacto muito mais profundo do que se imagina. Ele explica que essa prática altera os instintos naturais dos animais, levando-os a associar o ser humano à oferta de alimento, o que aumenta consideravelmente o risco de ataques. "Quando um animal silvestre perde o medo natural do ser humano, o comportamento pode se tornar imprevisível e perigoso tanto para o homem quanto para o próprio animal", afirmou Tortato.
Além dos riscos diretos para as pessoas, especialistas apontam que a ceva contribui para a alteração dos hábitos alimentares dos animais e pode impactar negativamente o equilíbrio ecológico da região, que depende da preservação dos comportamentos naturais dos animais para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas locais.
A tragédia com Jorge Ávalo traz à tona a urgência de conscientização sobre as consequências de práticas como a ceva, que, embora comuns em algumas áreas, representam um perigo iminente para a vida humana e para a fauna do Pantanal.
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