Sintomas visuais ajudam a diagnosticar câncer no olho que filha de Leifert trata
Saiba mais sobre os sintomas visuais para diagnosticar retinoblastoma
30/01/2022
20:00
anamaria.uol.com.br
Vivian Ortiz
Leucoria é um dos sinais visuais de retinoblastoma. - Elord/wikidoc.org
O apresentador Tiago Leifert e a esposa, a jornalista Daiana Garbin, revelaram neste sábado (29) que a filha de ambos, Lua, tem retinoblastoma, um tipo raro de câncer nos olhos. Muito reservados quanto a vida pessoal, os dois contaram optaram por falar publicamente sobre o assunto para alertar outros pais quanto a necessidade de um diagnóstico precoce da doença.
AnaMaria Digital conversou com a oftalmologista Ione Alexim, do Instituto de Ciências Neurológicas (ICNE), atrás de mais informações sobre a doença. De acordo com a médica, o retinoblastoma é o tumor intraocular mais comum da infância, acometendo um a cada 14 mil nascidos vivos. Com isso, espera-se que surjam cerca de 8 mil novos casos no mundo a cada ano, sendo 400 deles no Brasil.
A doença apresenta duas formas diferentes: bilateral e unilateral. A primeira também é conhecida como multifocal, e responsável por 40% dos casos. Também é a mais precoce, pois surge antes do primeiro ano de vida. "O gene da doença é herdado de um dos genitores biológicos - em 25% dos casos - ou ser resultado de uma mutação nova - em 75% dos casos", ressalta a especialista.
"Já a segunda forma, a mais comum do retinoblastoma, é a unilateral [quando pega apenas um olhinho, sendo chamada de unifocal] e responsável por 60% dos casos, ou a maioria", diz Ione. A especialista ressalta que a apresentação clínica é mais tardia, em torno do 2º ou 3º ano de vida. Vale destacar que a doença pode afetar ambos os sexos de maneira semelhante.
Um dos sinais iniciais mais frequentes, em 70% dos casos, é a alteração do reflexo vermelho, a leococoria, geralmente observada quando os pais tiram fotos da criança e o reflexo na pupila fica esbranquiçado no olho afetado, em vez de ficar vermelho como no olho sadio. No entanto, também é importante ficar atento quanto ao surgimento de outros sinais, tais como:
"Qualquer alteração no comportamento visual da criança deve ser valorizada, devendo os responsáveis procurar um oftamologista o quanto antes", ressalta Ione Alexim.
Ele está diretamente relacionado com a fase da doença em que foi feito o diagnóstico, além de uma avaliação da extensão da problema e do tamanho do paciente.
"Basicamente, temos dois cenários distintos. O primeiro ocorre quando há a possibilidade de preservar o globo ocular e, consequentemente, a visão dessa criança. Já quando o diagnóstico é feito em uma fase mais tardia, perde-se a chance de preservar o globo ocular, e o objetivo do tratamento passa ser salvar a vida do paciente", explica a oftamologista.
Ela ressalta ainda que o tratamento é longo, multimodal e sendo de suma importância a multidisciplinalidade. "Ou seja: essa criança precisa ser acompanhada por oncologistas pediátricos, patologistas, radiologistas, radioterapeutas, entre outros profissionais", conta.
Os tratamentos, porém, dependem do estágio da doença. No caso de Lua, Tiago Leifert e Daiana Garbin contaram que ela está passando por uma quimioterapia localizada, intraarterial. Isso significa que os especialistas injetam a droga quimioterápica diretamente onde está o tumor. Isso diminui os efeitos colaterais do tratamento, e ainda traz bons resultados quanto a preservação do olho, esclarece a médica: "Quando não é mais possível manter a visão, pode ser indicada a retirada desse globo ocular, pois não existe outra possibilidade de tratamento."
Exatamente por isso, é importante ficar sempre atento na saúde ocular da criança. Isso porque, quanto mais cedo buscar ajuda, melhor, pois a resposta aos tratamentos aumenta. "Ou seja: a perspectiva de cura vai depender de qual fase da doença foi feito o diagnóstico", ressalta Ione.
Em um mundo ideal, o correto seria que a criança fosse avaliada ainda na maternidade, com o teste do reflexo vermelho. Se não for possível, a especialista indica que essa primeira avaliação oftalmológica seja feita ainda na primeira consulta com o pediatra [ou oftamologista] após a saída da maternidade.
Tente repetir essa avaliação até o final do primeiro ano de vida e, depois, por volta dos três anos de idade, ou no início da idade escolar. Depois, leve o pequeno uma vez por ano ao médico para avaliação, por toda a vida. "Se as pessoas tivessem acesso a essas avaliações do jeito que a gente preconiza, elas seriam diagnosticadas mais cedo e teriam uma maior chance de cura", ressalta Ione.
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