Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

CIÊNCIA E SAÚDE

Estudo aponta que cesárea pode aumentar risco de câncer de placenta após mola gestacional

Pesquisa liderada por cientistas da UFRJ identificou aumento de 45% no risco de neoplasia trofoblástica gestacional em mulheres com histórico de parto cesáreo

27/07/2026

07:25

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Pesquisa da UFRJ aponta que mulheres com histórico de cesariana apresentam maior risco de desenvolver câncer de placenta após casos de mola gestacional. © Agencia Brasil/Tânia Rêgo)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou que mulheres com histórico de cesariana apresentam 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer originado a partir de células da placenta após casos de mola gestacional.

A pesquisa analisou dados de 2.904 pacientes atendidas entre 2002 e 2022 em centros especializados no Brasil e nos Estados Unidos. Os resultados mostraram que 26,5% das mulheres que haviam passado por pelo menos uma cesariana desenvolveram a doença, enquanto entre aquelas sem histórico de cirurgia o índice foi de 20,8%.

A mola gestacional é uma complicação rara da gravidez provocada por uma fertilização anormal, que leva à formação de uma placenta com desenvolvimento inadequado. Em parte dos casos, essa alteração pode evoluir para a neoplasia trofoblástica gestacional, considerada a forma mais grave da doença.

No Brasil, a mola gestacional ocorre em aproximadamente um a cada 200 a 400 casos de gravidez. Estima-se que cerca de 2,9 mil mulheres desenvolvam anualmente a neoplasia trofoblástica gestacional no país.

Até então, fatores como idade materna superior a 40 anos, mola gestacional completa, níveis elevados do hormônio hCG e histórico anterior da doença já eram reconhecidos como fatores de risco. O novo estudo acrescenta a cesariana como um fator independente associado ao aumento da probabilidade de evolução para o câncer.

Os pesquisadores acreditam que a cicatriz deixada pela cirurgia possa favorecer alterações no tecido uterino, incluindo remodelação dos vasos sanguíneos, fibrose e mudanças na resposta imunológica, criando condições que facilitariam a invasão das células da mola gestacional.

Apesar da associação identificada, os especialistas ressaltam que a cesariana continua sendo um procedimento essencial quando há indicação médica e que o estudo não recomenda mudanças no tratamento das pacientes. A principal orientação é intensificar o acompanhamento das mulheres com histórico de cesárea que forem diagnosticadas com mola gestacional.

O tratamento da neoplasia trofoblástica gestacional geralmente inclui esvaziamento uterino por aspiração, quimioterapia quando indicada e monitoramento dos níveis do hormônio hCG. A retirada do útero é reservada para situações específicas.

Segundo os pesquisadores, uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas no Brasil poderia evitar aproximadamente 177 casos da doença por ano, reforçando a importância de que o parto cirúrgico seja realizado apenas quando houver indicação clínica.


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