SAÚDE PÚBLICA
Ministério da Saúde cria comitê para negociar preços de medicamentos e ampliar acesso a tratamentos no SUS
Nova estratégia busca reduzir custos na compra de remédios de alto custo e abrir espaço no orçamento para incorporar novas tecnologias à rede pública
23/07/2026
07:40
REDAÇÃO
Ministério da Saúde cria comitê permanente para negociar preços de medicamentos e ampliar o acesso a tratamentos no Sistema Único de Saúde. © Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil
O Ministério da Saúde instituiu nesta quinta-feira (23) um Comitê de Negociação de Preços para a compra de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca reduzir os custos de aquisição de remédios, especialmente os de alto valor, permitindo que mais tratamentos sejam incorporados à rede pública de saúde.
A expectativa da pasta é obter descontos significativos nas negociações com a indústria farmacêutica, ampliando a eficiência dos recursos públicos e aumentando o acesso da população a medicamentos inovadores.
Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, a medida moderniza o processo de negociação e estabelece critérios mais claros para a aquisição de medicamentos.
"Estamos modernizando a forma com a qual o Ministério da Saúde faz a negociação de preços, dando regras mais claras e garantias para o ministério obter um preço melhor e mais justo, para sobrar orçamento para outros investimentos e outras tecnologias", afirmou.
A principal finalidade do novo comitê é facilitar a incorporação ao SUS de medicamentos de alto custo utilizados no tratamento de doenças como câncer e enfermidades autoimunes.
O grupo será acionado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por analisar e recomendar a inclusão de novos medicamentos, procedimentos e tecnologias na rede pública.
O comitê também atuará em situações em que determinado medicamento seja produzido por apenas um laboratório, impossibilitando a realização de licitação por falta de concorrência.
Nesses casos, o Ministério da Saúde pretende utilizar o poder de compra do SUS para negociar valores mais baixos.
Atualmente, o sistema público adquire cerca de R$ 31,3 bilhões por ano em vacinas, medicamentos e outros insumos de saúde, volume que fortalece sua capacidade de negociação com a indústria farmacêutica.
Além disso, o comitê poderá ser acionado quando medicamentos já incorporados ao SUS sofrerem aumentos expressivos de preço.
Segundo o Ministério da Saúde, mecanismos semelhantes já são utilizados em mais de 40 países, entre eles Canadá, Inglaterra, Austrália e França.
O comitê terá caráter permanente e técnico, com a expectativa de alcançar descontos superiores a 50% na negociação de medicamentos novos ou recentemente incorporados ao SUS.
A medida integra a estratégia do governo federal para ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade, garantindo maior sustentabilidade ao orçamento da saúde pública e permitindo a incorporação de novas tecnologias ao sistema.
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