ECONOMIA
Governo anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos
Plano Brasil Soberano 3 amplia financiamento para exportadores e setores estratégicos, com foco na manutenção da competitividade da economia brasileira
23/07/2026
08:00
REDAÇÃO
Governo federal amplia linhas de crédito para apoiar empresas exportadoras e setores estratégicos diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. © Angelo F. Roesler/ Adobe Stock
O governo federal anunciou um novo pacote de apoio às empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa disponibilizará R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia.
O anúncio foi feito no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida deverá atingir aproximadamente 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 5,8 bilhões em exportações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que amplia o Plano Brasil Soberano e autoriza a utilização de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão distribuídos da seguinte forma:
As linhas de financiamento poderão ser utilizadas para:
As taxas de juros variam conforme a finalidade do financiamento, podendo chegar a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e a 9,80% ao ano para operações de capital de giro destinadas a grandes empresas.
Além das empresas diretamente atingidas pelas tarifas norte-americanas, o Plano Brasil Soberano 3 passa a atender também exportadores prejudicados por conflitos internacionais e amplia o acesso ao crédito para diversos segmentos considerados estratégicos.
Entre os setores contemplados estão:
A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para atender exigências do comércio internacional relacionadas a normas sanitárias, ambientais, rastreabilidade e certificações.
Durante o anúncio, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o programa não se limita à oferta de crédito.
Segundo ele, o plano também prevê a oferta de seguro garantia para pequenas empresas, ampliando o apoio às organizações impactadas pelas mudanças no comércio internacional.
O plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à análise de um conselho interministerial, responsável por definir as prioridades de financiamento conforme os impactos enfrentados por cada segmento da economia.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, os segmentos que mais sofreram com as novas tarifas norte-americanas incluem:
O governo também informou que o programa está preparado para atender empresas que venham a ser afetadas por novas medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.
Apesar da ampliação das linhas de crédito, o governo brasileiro afirma que continuará buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos.
Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, as conversas com representantes norte-americanos foram mantidas até os últimos dias antes da entrada em vigor das tarifas, mas não houve acordo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a afirmar que a prioridade do Brasil é resolver a questão por meio do diálogo, descartando medidas imediatas de retaliação comercial.
Criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, o Plano Brasil Soberano soma, agora, três etapas:
Com a nova fase, o governo amplia os mecanismos de financiamento para preservar a competitividade das empresas brasileiras, minimizar os impactos das barreiras comerciais e fortalecer setores considerados estratégicos para a economia nacional.
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