Campo Grande (MS), Sexta-feira, 24 de Julho de 2026

SAÚDE

Estudo aponta queda de quase 50% na prevalência do HPV entre jovens após vacinação no Brasil

Maior pesquisa da América Latina mostra redução das infecções pelos principais tipos do vírus e indica efeito de proteção coletiva mesmo entre pessoas não vacinadas

24/07/2026

08:00

REDAÇÃO

Pesquisa nacional aponta que a vacinação contra o HPV reduziu quase pela metade a prevalência dos principais tipos do vírus entre jovens b rasileiros.

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu em quase 50% a prevalência dos principais tipos do vírus entre jovens brasileiros, segundo o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. A pesquisa também identificou benefícios indiretos para pessoas que não receberam a vacina, indicando o chamado efeito de proteção coletiva.

Os dados fazem parte da pesquisa Pop-Brasil, desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde.

Na primeira etapa do estudo, realizada entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina. Já na segunda fase, com amostras coletadas entre 2020 e 2023, esse percentual caiu para 7,95%.

Na fase inicial, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados, de ambos os sexos. Na segunda etapa, o estudo avaliou mais de 10 mil pessoas, incluindo vacinados e não vacinados, com coletas realizadas em unidades de saúde.

O foco da pesquisa foi a população entre 16 e 25 anos, faixa etária que concentra maior prevalência da infecção por representar o início da vida sexual e que já deveria estar contemplada pelas campanhas de vacinação.

Apesar dos resultados positivos, a cobertura vacinal ainda está abaixo da meta. Entre meninas e mulheres participantes da pesquisa, 61,8% haviam sido vacinadas. Entre os homens, o índice foi de apenas 31,1%. A cobertura considerada ideal pelo Ministério da Saúde é de 90%.

Entre as mulheres vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV protegidos pelo imunizante caiu de 15,6%, registrada na primeira fase da pesquisa, para apenas 3,1% na segunda etapa.

Além da proteção individual, os pesquisadores observaram redução da circulação do vírus também entre mulheres que não receberam a vacina. Nesse grupo, a prevalência dos quatro principais tipos de HPV caiu para 10,5%, evidenciando o chamado efeito rebanho, quando a alta cobertura vacinal reduz a transmissão do vírus e protege indiretamente pessoas não imunizadas.

Entre os homens vacinados, a prevalência dos subtipos protegidos pela vacina diminuiu de 13,8% para 4,6%. Já entre os participantes do sexo masculino que não foram vacinados, a pesquisa não identificou redução estatisticamente significativa, resultado atribuído pelos pesquisadores à baixa cobertura vacinal nesse público.

Outro dado que reforça a eficácia da vacina é que, enquanto a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pelo imunizante caiu, a circulação geral do vírus aumentou. Considerando todos os subtipos existentes, a prevalência passou de 46,7% na primeira fase para 56,6% na segunda.

O estudo também encontrou evidências de que o atual esquema adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com apenas uma dose da vacina, mantém eficácia semelhante aos antigos esquemas com duas ou três aplicações, já que não foram observadas diferenças relevantes na prevalência do vírus entre pessoas vacinadas com diferentes números de doses.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014, inicialmente destinada apenas às meninas. Em 2017, a campanha passou a incluir também os meninos e, em 2024, o esquema vacinal foi reduzido de duas para apenas uma dose.

Atualmente, a vacina é indicada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos específicos considerados mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição e pacientes que já apresentaram lesões precursoras do câncer do colo do útero.

O HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero, mas também pode provocar tumores no pênis, ânus e garganta. Embora existam diversos subtipos do vírus, a vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os quatro principais tipos associados ao desenvolvimento de câncer.


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