Campo Grande (MS), Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

SAÚDE / ALERTA PARA A VISÃO

Uso inadequado de corticoides pode provocar glaucoma e levar à cegueira, alertam especialistas

Entidades médicas defendem maior controle na venda desses medicamentos e reforçam os riscos da automedicação

08/06/2026

08:25

REDAÇÃO

MARIA GORETI

O uso indiscriminado de medicamentos à base de corticoides pode provocar glaucoma e, em casos mais graves, levar à perda permanente da visão. O alerta é da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), que chama a atenção para os riscos da automedicação e defende regras mais rigorosas para a comercialização dessas substâncias.

Segundo o presidente da SBG, Roberto Murad Vessani, o problema tem se tornado uma preocupação crescente de saúde pública, principalmente devido ao fácil acesso a medicamentos contendo corticoides, como colírios, pomadas e comprimidos.

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico e está diretamente relacionada ao aumento da pressão intraocular. Sem tratamento adequado, pode causar danos irreversíveis e evoluir para a cegueira. Atualmente, estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença.

De acordo com especialistas, entre 2,5% e 3,5% das pessoas com mais de 40 anos já apresentam algum tipo de glaucoma.

RISCO DA AUTOMEDICAÇÃO

Os corticoides são amplamente utilizados para tratar inflamações, alergias, crises respiratórias, sinusites e irritações oculares. O alívio rápido dos sintomas faz com que muitas pessoas recorram ao medicamento sem acompanhamento médico sempre que o problema reaparece.

No entanto, o uso prolongado pode comprometer o funcionamento dos olhos. As substâncias dificultam a drenagem natural do líquido presente no interior do globo ocular, aumentando a pressão intraocular.

Quando essa pressão permanece elevada por longos períodos, pode ocorrer dano progressivo ao nervo óptico, favorecendo o desenvolvimento do glaucoma.

Além dos problemas oculares, o uso excessivo de corticoides também pode causar aumento da glicose no sangue, agravamento do diabetes, hipertensão arterial, retenção de líquidos, ganho de peso, enfraquecimento dos ossos, alterações hormonais e maior suscetibilidade a infecções.

ENTIDADES PEDEM MAIS CONTROLE

Diante do cenário, a Sociedade Brasileira de Glaucoma, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica encaminharam uma nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a entidades médicas solicitando medidas para ampliar o controle sobre a venda desses medicamentos.

A proposta é que os corticoides passem a seguir regras semelhantes às adotadas para os antibióticos, cuja comercialização exige receita médica e controle de prescrição.

Segundo Roberto Vessani, essa medida ajudaria a reduzir os casos de automedicação e garantir maior segurança aos pacientes.

GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS

Os especialistas destacam que pessoas que já possuem glaucoma apresentam maior sensibilidade aos efeitos dos corticoides. Cerca de 90% desses pacientes podem sofrer aumento significativo da pressão ocular ao utilizar esses medicamentos.

O risco também é elevado entre crianças com histórico de alergias oculares. Em muitos casos, os pais utilizam colírios com corticoides por períodos prolongados sem orientação médica, o que pode provocar glaucoma ou até mesmo catarata precoce.

Outra preocupação envolve pacientes idosos que utilizam corticoides para tratar doenças crônicas. Como a incidência de glaucoma aumenta com a idade, o uso prolongado dessas substâncias pode agravar ainda mais o quadro.

MONITORAMENTO É FUNDAMENTAL

As entidades médicas recomendam que pacientes que utilizam corticoides por longos períodos realizem acompanhamento oftalmológico regular, com monitoramento da pressão intraocular.

A orientação é especialmente importante para crianças, idosos e pessoas que já possuem fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma.

Além do acompanhamento médico, especialistas reforçam que nenhum medicamento contendo corticoides deve ser utilizado sem prescrição e supervisão profissional, mesmo quando os sintomas aparentam ser simples ou recorrentes.

A principal recomendação é evitar a automedicação e buscar avaliação médica sempre que houver necessidade de tratamento contínuo, preservando a saúde ocular e reduzindo o risco de complicações permanentes.


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