Campo Grande (MS), Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

SAÚDE / PREVENÇÃO NO SUS

Ministério da Saúde adota novo exame para rastreamento do câncer colorretal

Teste poderá ampliar acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à detecção precoce da doença

22/05/2026

18:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Novo exame adotado pelo SUS busca ampliar o diagnóstico precoce do câncer colorretal e aumentar as chances de tratamento da doença. © Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) a incorporação de um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). O Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, o exame apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações, o que pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença.

O câncer colorretal é atualmente o segundo tipo mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma. De acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028.

Especialistas alertam que uma das principais causas da alta mortalidade é o diagnóstico tardio, já que muitos pacientes descobrem a doença apenas em estágios avançados. A nova estratégia busca justamente identificar alterações precocemente e ampliar as chances de tratamento.

O FIT é um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Diferente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, aumentando a precisão do resultado.

O paciente recebe um kit para coleta domiciliar e, posteriormente, o material é encaminhado para análise laboratorial. Caso o exame detecte sangue oculto, o paciente será direcionado para exames complementares, como a colonoscopia.

A colonoscopia é considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino, pois permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além da retirada de pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

Entre as vantagens do FIT estão a praticidade e maior adesão da população. O exame não exige preparo intestinal, dieta restritiva e pode ser realizado com apenas uma amostra, além de ser menos invasivo.

A diretriz com as orientações para a nova testagem foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em março deste ano.


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