Campo Grande (MS), Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

SAÚDE E TECNOLOGIA

Brasileiros com diabetes defendem uso de tecnologias no tratamento da doença

Pesquisa aponta impacto emocional do diabetes e reforça demanda por sensores inteligentes de monitoramento contínuo da glicose

21/05/2026

08:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros com diabetes defende acesso a tecnologias inteligentes para controle da glicose. © Marcello Casal jr/Agência Brasil

Sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta significativamente o bem-estar emocional. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, que analisou a percepção de pacientes sobre a convivência com o diabetes e o uso de tecnologias no tratamento.

O levantamento mostrou que 78% dos entrevistados convivem com ansiedade ou preocupação em relação ao futuro, enquanto dois em cada cinco pacientes relatam sensação de solidão ou isolamento por causa da doença.

A pesquisa foi realizada em setembro de 2025 com 4.326 pessoas diagnosticadas com diabetes em 22 países, sendo 20% dos participantes brasileiros.

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Em casos mais graves, pode provocar complicações cardiovasculares, problemas renais, danos neurológicos e até levar à morte.

O estudo também revelou que 56% dos brasileiros afirmam que o diabetes limita atividades simples do cotidiano, como passar o dia fora de casa, enquanto 46% enfrentam dificuldades em situações comuns, como trânsito intenso ou reuniões prolongadas.

Outro dado importante aponta que apenas 35% dos pacientes se sentem totalmente confiantes no gerenciamento da própria condição, o que demonstra desafios no controle da doença.

Entre as principais reivindicações está o acesso a tecnologias mais avançadas. Cerca de 44% dos entrevistados defendem o uso de dispositivos inteligentes capazes de prever alterações nos níveis de glicose para evitar complicações.

Já 46% dos pacientes que ainda utilizam métodos tradicionais, como testes de ponta de dedo, acreditam que sensores de monitoramento contínuo da glicose deveriam ser mais acessíveis devido à capacidade de emitir alertas preventivos.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, destacou que o monitoramento contínuo pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente daqueles com diabetes tipo 1.

Segundo ele, os sensores permitem identificar antecipadamente se a glicose estará alta ou baixa nas próximas horas, possibilitando ações preventivas antes que ocorram crises.

Vianna também afirmou que o uso dessas tecnologias pode reduzir internações, idas ao pronto-socorro e custos do sistema público de saúde.

Apesar dos benefícios, o monitoramento contínuo ainda não é disponibilizado de forma ampla pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar o dispositivo para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 na rede pública.

Atualmente, o acesso aos sensores ocorre principalmente entre pacientes com maior poder aquisitivo ou por meio de sistemas privados de saúde.

 


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