SAÚDE / QUALIDADE DE VIDA
Alergias já atingem até 40% da população e preocupam especialistas
Poluição, ambiente urbano e subdiagnóstico contribuem para aumento dos casos no Brasil e no mundo
15/05/2026
08:15
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialistas alertam para aumento das alergias nos centros urbanos e defendem diagnóstico mais preciso para tratamento adequado. @Divulgação
As doenças alérgicas já atingem entre 30% e 40% da população mundial e são consideradas um desafio crescente de saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 30% da população tenha rinite alérgica e aproximadamente 10% conviva com quadros de asma, problemas que tendem a se intensificar principalmente nos grandes centros urbanos.
Dados do Atlas Global de Alergia da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica apontam que, até 2050, metade da população mundial poderá desenvolver algum tipo de alergia.
Especialistas alertam que muitos pacientes ainda convivem durante anos com sintomas recorrentes sem receber diagnóstico adequado.
Segundo o médico de família e comunidade Leonardo Abreu, coordenador técnico da Amparo Saúde, o subdiagnóstico continua sendo um dos principais desafios no tratamento das alergias.
“Muitos pacientes convivem por anos com sintomas recorrentes, como coceira, tosse, dermatite e desconfortos gastrointestinais, sem chegar à causa real”, afirmou.
De acordo com o especialista, o problema acaba levando ao uso frequente de medicamentos que aliviam momentaneamente os sintomas, mas não tratam a origem das crises.
Entre os principais fatores que contribuem para o aumento das alergias nos centros urbanos estão a poluição do ar, ácaros, mofo, pólen, pelos de animais e até mudanças nos hábitos alimentares, com maior consumo de alimentos ultraprocessados.
O médico também destaca a chamada “hipótese da higiene”, teoria que associa a menor exposição a microrganismos ao desenvolvimento de alergias ao longo da vida.
Atualmente, exames de alta precisão ajudam a identificar os agentes causadores das alergias, como testes de IgE específica, painéis de alérgenos e diagnóstico molecular por componentes.
Esses exames permitem identificar substâncias responsáveis pelas reações alérgicas, facilitando tratamentos mais personalizados.
Segundo Leonardo Abreu, o diagnóstico correto possibilita medidas preventivas mais eficientes, incluindo ajustes ambientais, orientação alimentar e até imunoterapia em alguns casos.
“O paciente passa a entender melhor o próprio quadro e ganha mais previsibilidade no dia a dia, o que faz bastante diferença, principalmente nos casos crônicos”, destacou.
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