Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

SAÚDE DA MULHER

Menopausa e perimenopausa podem alterar metabolismo e dificultar controle do peso

Especialista explica como mudanças hormonais, inflamação e resistência à insulina impactam o organismo feminino após os 40 anos

30/03/2026

07:25

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Alterações hormonais podem influenciar acúmulo de gordura e dificultar emagrecimento nessa fase da vida

A chegada da Menopausa e da Perimenopausa pode trazer mudanças significativas no organismo feminino, especialmente no metabolismo. Muitas mulheres relatam maior dificuldade para manter o peso a partir dos 40 anos, reflexo de alterações hormonais típicas do climatério.

Esse período, que pode começar até 10 anos antes da última menstruação, é marcado por oscilações hormonais que impactam diretamente fatores como energia, sono, composição corporal e controle do peso.

De acordo com o endocrinologista e nutrólogo Vagner Chiapetti, a redução progressiva dos hormônios femininos, principalmente do estrogênio, está entre os principais fatores responsáveis por essas mudanças.

“Essa queda hormonal pode influenciar o metabolismo, favorecendo o aumento de gordura corporal e dificultando o emagrecimento”, explica o especialista.

Entre os mecanismos que ajudam a entender esse processo estão a inflamação crônica de baixo grau, o aumento do cortisol e o maior risco de desenvolvimento de Resistência à insulina.

A chamada inflamação metabólica de baixo grau ocorre de forma silenciosa no organismo e pode se intensificar durante o climatério. Com a redução do estrogênio, há um aumento dos processos inflamatórios, o que interfere na forma como o corpo utiliza energia e armazena gordura, favorecendo principalmente o acúmulo na região abdominal.

Outro fator relevante é a elevação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Sintomas comuns dessa fase, como noites mal dormidas, ondas de calor e alterações emocionais, contribuem para o aumento desse hormônio.

“O cortisol elevado por longos períodos pode estimular o apetite, especialmente por alimentos mais calóricos, além de favorecer o acúmulo de gordura abdominal”, destaca o médico. O hormônio também pode contribuir para a perda de massa muscular e a desaceleração do metabolismo.

Além disso, a resistência à insulina se torna mais frequente nesse período. Nessa condição, o organismo passa a responder menos à insulina, dificultando o controle dos níveis de glicose no sangue.

Com isso, o corpo precisa produzir mais insulina para compensar, o que favorece o armazenamento de gordura e torna o processo de emagrecimento mais desafiador.

Apesar dos desafios, especialistas reforçam que hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico, são fundamentais para minimizar os impactos dessas mudanças e promover mais qualidade de vida durante essa fase.

 


 


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