SAÚDE / MENOPAUSA EM DEBATE
Estudo pede políticas públicas para reduzir impactos da menopausa no Brasil
Pesquisa aponta maior vulnerabilidade entre mulheres negras e alerta para reflexos na saúde e no trabalho
04/03/2026
07:35
REDAÇÃO
Estudo aponta necessidade de políticas públicas específicas para enfrentar impactos da menopausa no Brasil © Frame TV Brasil
Um estudo divulgado nesta terça-feira 3 pelo Instituto Esfera, em Brasília, alerta para a necessidade de criação de políticas públicas específicas para reduzir os impactos da menopausa na vida das mulheres brasileiras. A pesquisa destaca que mulheres negras e em situação de vulnerabilidade social sofrem efeitos mais intensos nesse período.
Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora Clarita Costa Maia, uma das responsáveis pelo levantamento, explicou que a menopausa apresenta um componente biológico que atinge com mais intensidade as mulheres negras, além de haver o cruzamento de vulnerabilidades sociais.
Segundo ela, muitas dessas mulheres são arrimo de família e ocupam posição central na manutenção do núcleo familiar. Quando enfrentam sintomas físicos e psicológicos sem tratamento adequado, podem ter dificuldades no mercado de trabalho, o que compromete a renda e a estabilidade de toda a família.
Impactos profissionais e sociais
De acordo com o estudo, os sintomas não tratados podem gerar afastamento do trabalho e aumentar a pressão sobre a Previdência Social. “Ao invés de estarmos com trabalhadoras na sua melhor fase intelectual, surgem mais problemas previdenciários e sociais”, aponta a pesquisadora.
O documento ressalta que tratar a menopausa deve ser entendido como uma política que beneficia não apenas a mulher, mas todo o seu núcleo familiar, com reflexos positivos na economia e na produtividade.
Saúde mental e envelhecimento
A pesquisa também chama atenção para as consequências na saúde mental. Entre os riscos associados aos sintomas não tratados estão o aumento das chances de depressão, Alzheimer e outros transtornos emocionais.
Outro ponto destacado é o crescimento de casos de menopausa precoce, fenômeno que, segundo as pesquisadoras, pode estar relacionado ao modo de vida atual. Com o envelhecimento populacional, o estudo defende maior atenção das redes públicas de saúde às diferentes fases do ciclo de vida feminino.
Necessidade de mapeamento
O levantamento recomenda que o Brasil realize um mapeamento nacional sobre a menopausa para compreender melhor a realidade das mulheres nessa fase. Segundo o documento, a ausência de uma política pública estruturada gera impactos concretos na saúde, na economia e na cidadania.
Dados internacionais indicam que os custos associados à menopausa chegam a US$ 26,6 bilhões por ano nos Estados Unidos e a US$ 150 bilhões globalmente, além de uma queda de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam na menopausa, sendo que 87,9% apresentam sintomas e apenas 22,4% buscam tratamento.
Durante evento de lançamento do estudo em Brasília, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, afirmou que há maior atenção às políticas de saúde da mulher diante do envelhecimento populacional e destacou a mobilização de grupos que representam mulheres na menopausa.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Especialista explica crescimento do BDM Digital e os desafios da regulamentação dos ativos virtuais
Leia Mais
Dia Mundial do Meio Ambiente reforça importância da preservação e destaca avanços em Mato Grosso do Sul
Leia Mais
Monique Medeiros deixa a prisão após receber perdão judicial no caso Henry Borel
Leia Mais
Inscrições para o Enem 2026 terminam nesta sexta-feira
Municípios