SEGURANÇA DIGITAL NO CARNAVAL
Advogada orienta como se proteger de crimes digitais durante a folia
Especialista alerta para riscos em redes sociais e aplicativos de encontros e explica medidas para evitar golpes, exposição de imagem e fraudes financeiras
16/02/2026
09:35
AGÊNCIA BRASIL
REDAÇÃO
© Marcello Casal JrAgência Brasil
Imagens captadas durante blocos e festas de carnaval sem conhecimento ou autorização podem gerar exposição indevida, riscos à reputação e até crimes. O alerta é da advogada Maria Eduarda Amaral, especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo a especialista, qualquer conteúdo publicado na internet está sujeito a manipulações e usos indevidos. Entre as principais recomendações estão aceitar nas redes sociais apenas pessoas conhecidas, evitar exposição excessiva e não publicar informações em tempo real que revelem localização ou rotina, especialmente durante festas.
A advogada explica que criminosos observam esses comportamentos para agir quando a vítima está distraída. Durante o carnaval, esse risco aumenta porque muitas pessoas estão fora de casa, em ambientes movimentados e com menor atenção à segurança digital.
Entre as ocorrências mais comuns registradas recentemente estão invasões de redes sociais por meio de wi-fi público inseguro, links suspeitos e compartilhamento indevido de códigos enviados por mensagem. Esses acessos podem resultar em golpes financeiros, empréstimos fraudulentos e uso indevido de contas bancárias.
Outro problema crescente envolve deepfakes e deepnudes, imagens falsas criadas com inteligência artificial que simulam nudez ou situações íntimas. O uso é ainda mais frequente quando há fotos com fantasias e adereços de carnaval, facilitando a manipulação digital e a exposição indevida, sobretudo de mulheres.
Aplicativos de relacionamento como Tinder, Happn e Inner Circle também exigem atenção. Golpistas podem criar perfis falsos com imagens reais manipuladas para marcar encontros em locais isolados, onde ocorrem furtos, roubos ou sequestros. A especialista recomenda verificar redes sociais, confirmar informações, realizar videochamadas com cautela e priorizar encontros em locais públicos.
Guardar provas digitais é outro passo essencial. Prints de conversas, perfis, números de telefone e chamadas de vídeo ajudam a reconstruir a linha do tempo dos fatos e facilitam investigações policiais e ações judiciais. Sem esses registros, a identificação do criminoso torna-se muito mais difícil.
Maria Eduarda também destaca que vítimas não devem sentir vergonha de denunciar. Além da responsabilização criminal do autor do golpe, pode haver responsabilidade civil de bancos e plataformas digitais, especialmente quando há falhas de segurança ou uso indevido de dados e imagens.
De acordo com a advogada, mesmo quando o criminoso não é identificado, a vítima ainda pode buscar reparação judicial. Em situações envolvendo deepfakes ou perfis falsos, plataformas podem responder civilmente por danos morais e à imagem, conforme a extensão do prejuízo.
O principal conselho, reforça a especialista, é adotar postura preventiva durante o carnaval e ao longo de todo o ano. Atenção às informações compartilhadas, verificação de identidade em contatos virtuais e registro de provas são medidas fundamentais para reduzir riscos e garantir proteção no ambiente digital, seja em Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade do país.
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