Campo Grande (MS), Quarta-feira, 11 de Março de 2026

DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Pobreza pode afetar desenvolvimento motor de bebês a partir dos seis meses, aponta pesquisa

Estudo indica que estímulos simples no ambiente familiar ajudam a reverter atrasos ainda no primeiro ano de vida

16/02/2026

08:35

REDAÇÃO

MARIA GORETI

: Interação com responsáveis, brincadeiras e tempo no chão favorecem movimentos e aprendizagem dos bebês Marcello Casal Jr/Agencia Brasil

Bebês que vivem em situação de pobreza podem apresentar prejuízos no desenvolvimento motor já a partir dos seis meses de idade, segundo pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. O resultado foi publicado no início de fevereiro em revista científica internacional e relaciona a variedade de movimentos dos pequenos às condições socioeconômicas das famílias.

O estudo acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e identificou que crianças em contextos mais vulneráveis demoravam mais para agarrar objetos, virar o corpo e sentar sem apoio. A pesquisa contou com financiamento da Fapesp.

De acordo com a autora do trabalho, a principal constatação é que esses bebês apresentam repertório motor reduzido, com menor variação de movimentos nas atividades cotidianas. A literatura científica já aponta que atrasos no desenvolvimento infantil podem repercutir na vida escolar, com maior risco de dificuldades de atenção, hiperatividade e problemas de coordenação, embora novos estudos ainda sejam necessários para confirmar essas associações.

Rio de Janeiro (RJ), 16/02/2026 - Foto feita em 21/08/2023 – A família do bebê Murillo Luiz Martins, sua irmã Maria Helena Martins, os pais Patrick Rodrigues Viana e Danielly Martins durante atendimento para vacinação em residência, em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilA família do bebê Murillo Luiz Martins, sua irmã Maria Helena Martins, os pais Patrick Rodrigues Viana e Danielly Martins durante atendimento para vacinação em residência - Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar do alerta, a pesquisa também mostrou que a reversão pode ocorrer rapidamente quando há estímulos adequados. Aos oito meses, muitos bebês já não apresentavam atrasos significativos após a adoção de práticas simples pelas famílias, como colocar a criança de barriga para baixo, conversar, cantar e oferecer objetos seguros para exploração sensorial.

Especialistas explicam que o tempo de bruços fortalece músculos da cabeça, pescoço, ombros e braços, preparando o bebê para rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé. As orientações não exigem brinquedos caros, apenas interação frequente e ambiente seguro.

Brasília (DF), 16/02/2026 - Lorrane Paiva partcipa com seu bebê do mamaço” em plena estação de metrô de Samambaia, como forma de superação ao que ainda resta de preconceito contra um gesto natural. O ato também servirá de abertura para a campanha Incentive a Vida.( Elza Fiuza/Agência Brasil)Lorrane Paiva participa, com seu bebê, do "mamaço” em plena estação de metrô de Samambaia, em Brasília - Foto Elza Fiuza/Agência Brasil

O levantamento identificou ainda que, em lares mais pobres, os bebês permanecem mais tempo contidos em carrinhos ou espaços restritos, muitas vezes por falta de área adequada para brincar. A presença de outro adulto no domicílio e maior escolaridade materna estiveram associadas a melhores resultados no desenvolvimento infantil.

No cenário global, cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza, conforme relatório do Unicef divulgado em 2025, o que evidencia impactos severos sobre saúde, aprendizagem e bem-estar.

Pesquisadores defendem que visitas de profissionais de saúde, orientação às famílias e estímulos precoces são estratégias essenciais para reduzir desigualdades e garantir melhores condições de desenvolvimento desde os primeiros meses de vida.


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