ECONOMIA
Endividamento cresce na Capital e atinge mais fortemente famílias com renda de até 10 salários mínimos
Pesquisa mostra avanço das dívidas em Campo Grande e maior dificuldade de pagamento entre famílias de menor renda
11/02/2026
08:00
REDAÇÃO
Cartão de crédito segue como principal tipo de endividamento entre as famílias campo-grandenses Foto: Agência Brasil
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, revela que 70,1% das famílias de Campo Grande estavam endividadas em janeiro de 2026, percentual superior ao registrado em dezembro do ano passado, quando o índice era de 68,6%. Em números absolutos, isso representa 246.050 famílias com algum tipo de dívida no município.
O levantamento evidencia diferença expressiva entre as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o nível de endividamento chega a 72,5%, enquanto entre aquelas com renda acima desse valor o percentual é menor, de 58,2%. Além disso, quase 42% das famílias de maior renda declararam não possuir dívidas, índice superior ao observado na faixa de menor renda, que soma 27,5%.
Segundo a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, os dados mostram que o endividamento segue avançando, mas com impactos distintos conforme o perfil de renda. Ela avalia que o aumento reflete maior pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente das que recebem até 10 salários mínimos, que possuem menor capacidade de absorver choques como juros elevados e aumento do custo de vida.
Outro dado que chama atenção é a dificuldade de regularização das dívidas. A pesquisa aponta que 12,5% das famílias da Capital não terão condições de pagar as contas em atraso no próximo mês, o equivalente a 43.890 famílias. Entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o índice é quase três vezes maior, chegando a 14,5%, enquanto nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos o percentual cai para 5,1%.
O cartão de crédito permanece como principal tipo de endividamento, presente em 69,2% dos lares endividados, independentemente da faixa de renda. Já o comprometimento do orçamento mensal apresenta contrastes relevantes. Entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, 28,1% comprometem mais de 50% da renda com dívidas, proporção significativamente maior do que a observada entre as famílias de menor renda, que soma 13%.
A íntegra da pesquisa pode ser consultada junto à Fecomércio MS.
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